Queria ver o mundo,
Um mundo tranqüilo.
Queria ver o mundo,
Um mundo verdadeiro.
Não passageiro.
Um mundo real,
Que possamos ter orgulho
De vivermos neste mundo.
Queria ver o mundo,
Um mundo legal.
Que ninguém faça o mal.
Queria ver o mundo
Um mundo com pessoas,
Que sejam normais,
Que possam ajudar umas às outras.
Queria ver o mundo,
Do meu modo,
O meu modo de sonhar.
Este é o meu mundo.
O mundo imaginário.
Jorge Livio Garcia
domingo, dezembro 30, 2007
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Ano-Novo
O Ano-Novo é um evento que acontece quando uma cultura celebra o fim de um ano e o começo do próximo. Todas culturas que têm calendários anuais celebram o "Ano-Novo". A celebração do evento é também chamada réveillon, termo oriundo do verbo réveiller, que em francês significa "despertar".
A comemoração ocidental tem origem num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano-Novo em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro, deriva do nome de Jano, que tinha duas faces - uma voltada para frente e a outra para trás.
Celebrações modernas de Ano-Novo
1º de janeiro: Culturas ocidentais nas quais o ano começa em janeiro.
Em Nova Iorque a celebração mais famosa de Ano-Novo é a de Times Square - onde uma bola gigante começa a descer às 23 horas e 59 minutos até atingir o prédio em que está instalada, marcando exatamente zero hora (00:00:00).
No Rio de Janeiro a celebração mais famosa é a dos fogos de artifício em Copacabana. Milhares de cariocas e turistas juntam-se nas ruas à beira-mar e nas praias para assistirem ao interminável espectáculo, que começa prontamente à meia-noite do novo ano.
Em São Paulo a Avenida Paulista é o palco de atrações e queima de fogos. Em 31 de Dezembro de 2005, a festa reuniu mais de dois milhões de pessoas.
Na Escócia há muitos costumes especiais associados ao Ano-Novo - como a tradição de ser a primeira pessoa a pisar a propriedade do vizinho, conhecida como first-footing (primeira pisada). São também dados presentes simbólicos para desejar boa sorte, incluindo biscoitos.
Em muitos países, as pessoas têm o costume de soltar fogos de artifício em suas casas, como é o caso do Brasil, dos Países Baixos e de outros países europeus.
Muitas pessoas tomam decisões de Ano-Novo, ou fazem promessas de coisas que esperam conseguir no novo ano. Elas podem desejar perder peso, parar de fumar, economizar dinheiro e arrumar um amor para suas vidas.
Em países de língua inglesa, cantar e/ou tocar a música Auld Lang Syne é muito popular logo após a meia-noite.
No antigo Egito, há 3750 anos antes de Cristo! A estrela Sirius alinhava-se com a estrela Canopus no rumo Sul ao centro da Via-Láctea; exatamente à zero-hora sobre as Pirâmides de Guiza.
O calendário egípcio deu lugar ao cristão. O primeiro minuto de janeiro, abre-se a janela do Ano-Novo! *** Orion * Sirius. Até os dias de hoje.
"Feliz Ano-Novo" em outras línguas
Alemão: Glückliches Neues Jahr
Dinamarquês: Nytar
Espanhol: Feliz Año Nuevo
Esperanto: Feliĉigan Novan Jaron
Francês: Heureuse Nouvelle Année
Galego: Feliz Aninovo
Hebraico: Shaná Tová
Inglês: Happy New Year
Italiano: Buon Anno - Felice Anno Nuovo
Japonês: akemashite omedetou gozaimasu
Russo: Счастливого Нового Года {Schastlivovo Novovo Goda}
Búlgaro: Честита Нова Година /Chestita Nova Godina/
Sueco: Gott nytt år
Catalao: Bon any nou!!
A comemoração ocidental tem origem num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano-Novo em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro, deriva do nome de Jano, que tinha duas faces - uma voltada para frente e a outra para trás.
Celebrações modernas de Ano-Novo
1º de janeiro: Culturas ocidentais nas quais o ano começa em janeiro.
Em Nova Iorque a celebração mais famosa de Ano-Novo é a de Times Square - onde uma bola gigante começa a descer às 23 horas e 59 minutos até atingir o prédio em que está instalada, marcando exatamente zero hora (00:00:00).
No Rio de Janeiro a celebração mais famosa é a dos fogos de artifício em Copacabana. Milhares de cariocas e turistas juntam-se nas ruas à beira-mar e nas praias para assistirem ao interminável espectáculo, que começa prontamente à meia-noite do novo ano.
Em São Paulo a Avenida Paulista é o palco de atrações e queima de fogos. Em 31 de Dezembro de 2005, a festa reuniu mais de dois milhões de pessoas.
Na Escócia há muitos costumes especiais associados ao Ano-Novo - como a tradição de ser a primeira pessoa a pisar a propriedade do vizinho, conhecida como first-footing (primeira pisada). São também dados presentes simbólicos para desejar boa sorte, incluindo biscoitos.
Em muitos países, as pessoas têm o costume de soltar fogos de artifício em suas casas, como é o caso do Brasil, dos Países Baixos e de outros países europeus.
Muitas pessoas tomam decisões de Ano-Novo, ou fazem promessas de coisas que esperam conseguir no novo ano. Elas podem desejar perder peso, parar de fumar, economizar dinheiro e arrumar um amor para suas vidas.
Em países de língua inglesa, cantar e/ou tocar a música Auld Lang Syne é muito popular logo após a meia-noite.
No antigo Egito, há 3750 anos antes de Cristo! A estrela Sirius alinhava-se com a estrela Canopus no rumo Sul ao centro da Via-Láctea; exatamente à zero-hora sobre as Pirâmides de Guiza.
O calendário egípcio deu lugar ao cristão. O primeiro minuto de janeiro, abre-se a janela do Ano-Novo! *** Orion * Sirius. Até os dias de hoje.
"Feliz Ano-Novo" em outras línguas
Alemão: Glückliches Neues Jahr
Dinamarquês: Nytar
Espanhol: Feliz Año Nuevo
Esperanto: Feliĉigan Novan Jaron
Francês: Heureuse Nouvelle Année
Galego: Feliz Aninovo
Hebraico: Shaná Tová
Inglês: Happy New Year
Italiano: Buon Anno - Felice Anno Nuovo
Japonês: akemashite omedetou gozaimasu
Russo: Счастливого Нового Года {Schastlivovo Novovo Goda}
Búlgaro: Честита Нова Година /Chestita Nova Godina/
Sueco: Gott nytt år
Catalao: Bon any nou!!
sábado, dezembro 22, 2007
Olhos de Farol
Ney Matogrosso
Composição: Ronaldo Bastos - Flávio Henrique
Por que só vens de madrugada
E nunca estás por onde eu vou?
Somente em sonhos vi a luz
Da lua cheia
O canto da sereia
No breu da noite eu sei que
Reinas a me refletir
Olhos de farol
Porque tu és a lua e eu sou o sol
Porque só brilhas quando eu durmo
Sou condenado a te perder
Eu só queria ver andar na ventania
Luar do meio-dia
Na minha fantasia, ainda sou teu pierrô
E disfarço mal
A lágrima de amor no carnaval
Eu te vi em sonhos
A boiar no meu jardim
Lua de cetim entre os lençóis
E no céu sem nuvens
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis
Eu te vi rainha
Dona de nós
Imitar a voz dos rouxinóis
E no céu em chamas
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis
Composição: Ronaldo Bastos - Flávio Henrique
Por que só vens de madrugada
E nunca estás por onde eu vou?
Somente em sonhos vi a luz
Da lua cheia
O canto da sereia
No breu da noite eu sei que
Reinas a me refletir
Olhos de farol
Porque tu és a lua e eu sou o sol
Porque só brilhas quando eu durmo
Sou condenado a te perder
Eu só queria ver andar na ventania
Luar do meio-dia
Na minha fantasia, ainda sou teu pierrô
E disfarço mal
A lágrima de amor no carnaval
Eu te vi em sonhos
A boiar no meu jardim
Lua de cetim entre os lençóis
E no céu sem nuvens
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis
Eu te vi rainha
Dona de nós
Imitar a voz dos rouxinóis
E no céu em chamas
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis
sexta-feira, novembro 23, 2007
O que acontecerá em 2008?
Por: Graziella Marraccini
info@astrosirius.com.br
Chegamos perto do final do ano e as pessoas começam a sentir uma espécie de estranho frenesi que é gerado não somente pela excitação das festas e das férias, mas também pelo fato que, ao mudarmos de data em nosso calendário, temos a impressão que precisamos fazer algo novo, precisamos fazer promessas para o ano que está chegando.
Como faço todos os anos, estou começando a preparar as previsões astrológicas para 2008, cujo regente será o planeta Marte. Em breve essas previsões estarão publicadas no STUM e todos poderão lê-las. Porém, o que me chama a atenção neste momento são os emails alarmistas que recebo e que refletem a insegurança e o medo de muitos dos internautas em relação ao futuro. Recebo e-mails de pessoas que esperam o ‘final dos tempos’ em breve e que indicam até datas prováveis para que isso aconteça. Recebo e-mails de pessoas que me pedem para verificar se astrologicamente num determinado ‘dia’ dos próximos anos - resultado de pesquisas esotéricas ou outras revelações antigas ou atuais - o mundo irá acabar! Em geral, os e-mails são inteiramente pessimistas quanto ao futuro da humanidade!
Sinceramente, eu sou uma incorrigível otimista e não creio que o mundo irá acabar em breve e nem que ele irá acabar de uma hora para outra. Creio, sim, que estamos vivenciando um período de superposição de eras e que essa superposição provoca e provocará ainda profundas transformações em nosso planeta. A diferença entre os outros períodos perturbados que a humanidade já vivenciou e esse que nós vivenciamos agora, é que, antigamente, a mídia era bem mais precária e as noticias não se espalhavam com tanta facilidade; portanto, as pessoas se alarmavam menos do que agora. Ou pelo menos, quando uma notícia de ‘final do mundo’ circulava, ela atingia um numero menor de pessoas. É a mídia que espalha as notícias com tanta rapidez!
Realmente estamos vivendo uma transição muito importante. Em artigo publicado em junho de 2004 no site e intitulado “Será que a Era de Aquário já chegou?”, eu explicava o fenômeno precessional - ou seja a passagem das Eras - do ponto de vista astrológico (e astronômico). Muitas pessoas, na passagem do ano 2000, anunciaram o apocalipse, o final dos tempos! E nada aconteceu, o mundo continuou se curso como antes! A palavra apocalipse vem de grego “apoca’lipsis” que quer dizer, literalmente: “levantar o véu”. Isso significa portanto que nós estamos vivenciando um período em que os véus sobre os mistérios da humanidade serão retirados. Levantar o véu significa revelar, desvendar, descobrir, fazer a Luz sobre a Escuridão. Infelizmente, essa palavra tomou um sentido de Fim do Mundo. No entanto, creio eu, nós estamos começando a compreender melhor o que significam as noções de Deus e do Diabo! Estamos levantando o véu da ignorância onde fomos mantidos por tantos séculos e começamos a enveredar de olhos bem abertos no caminho da Consciência Cósmica. A Bíblia fala em apocalipse e descreve os quatro cavaleiros da Apocalipse que virão dos quatro cantos do mundo, dos quatro quadrantes, para semear guerra e destruição.
Mas não seriam esses os cavaleiros que fariam cair as barreiras entre as nações, que viriam nos abrir os olhos para nos revelar, enfim, que Todos nós somos UM? Os cavaleiros não estariam chegando simplesmente para o nosso próprio bem? Eu, sinceramente, veja a coisa dessa forma. Compreendo que nenhuma mudança se faz sem uma grande bagunça, um enorme transtorno. Se vocês já mudaram de casa (ou pior, de país, como aconteceu comigo mais de uma vez) sabem o transtorno que isso ocasiona! Além da apreensão sobre o novo local onde iremos nos instalar, existe o medo de não gostar do ambiente novo, de não encontrar um bom espaço para todas as coisas que possuímos; temores e tensão são causados pela incerteza e, enfim, porque ninguém gosta de se mudar a menos que saibamos com certeza o que nos espera no outro lugar. Ou seja, a ansiedade e o mal-estar são gerados pela transformação que sofremos em nosso dia-a-dia, mesmo se a mudança for desejada.
Não seria diferente, então, com a humanidade que, como um todo, passa pela mudança de eras astrológicas: deixamos a Era de Peixes e ingressamos na Era de Aquário. Estamos nesse período de transposição de Eras. Devemos nos preparar então para essa nova “casa” que virá, devemos mudar nossos hábitos, iniciarmos a desenvolver uma consciência coletiva ao mesmo tempo em que pensamos sobre nossa evolução pessoa. A mudança somente será bem sucedida se mudarmos a maneira de pensar e agir, pensando no bem do Todo com os ideais típicos de Aquário: igualdade, liberdade e fraternidade. “Ame ao seu próximo como a si mesmo”, disse Jesus, e ele já anunciava o trabalho a ser feito para a Era de Aquário.
Mas, como ele foi um profeta da Era de Peixes, pregava o sacrifício de si próprio para o bem do Todo. Dê a outra face, dizia ele: que dificuldade. No entanto, ele se sacrificou para o bem de todos! Eu tenho por mim que um novo profeta virá demonstrar os ensinamentos que precisaremos aprender na Era de Aquário, ou mesmo mais de um: por que não vários, espalhados pelo mundo?
E porque eles não viriam ‘de fora’ como já aconteceu no passado? A humanidade sempre precisa ‘ver para crer’, e, portanto, irão precisar de um Guia. Mesmo se podemos atualmente desvendar os ‘segredos com facilidade’ (eles nos são revelados em livros e até DVDs!); mesmo se temos acesso ao conhecimento oculto e às filosofias provenientes das várias religiões do mundo inteiro, ainda assim precisamos de algo concreto para ‘nos abrir os olhos’.
Creio que é por causa disso que estamos ‘vendo’ que o clima mundial está mudando, tornando-se cada vez mais imprevisível com fenômenos destrutivos, que as guerras continuam com a maior força como se os povos nada tivessem apreendido do passado, que os vírus se espalham pela terra e matam cada vez mais, apesar dos avanços da medicina, que o fogo sai do controle e causa destruições em massa e que, finalmente, os homens parecem se entendem cada vez menos! Alguns, no entanto, os mais evoluídos espiritualmente (não ouso dizer ‘os eleitos’), se juntam em grupos, se mobilizam para fazer algo para ajudar a Terra e procuram compreender a razão de tanta destruição. Nunca se produziu tanta riqueza no mundo, e nunca a miséria foi tamanha! Por quê? Porque precisamos ‘abrir os olhos’ e somente a dor e o sofrimento poderão fazer isso. Com o sofrimento vem a esperança, com ela a necessidade do conhecimento e, conseqüentemente, a queda dos véus! Cada vez mais pessoas estão ‘abrindo os olhos’, procuram respostas para suas indagações espirituais. É chegado o momento da revelação, da Luz. Percebo à minha volta um interesse maior nos assuntos esotéricos e isso já é um indicio da mudança dos tempos. As pessoas se juntam em grupos, pesquisam, estudam, procuram nos livros, divulgam suas pesquisas na Internet, procuram conhecer melhor as filosofias e as religiões de outros povos, em busca das respostas para acalmar a inquietude que se apodera de seus corações. Não estou falando do surgimento de um determinado tipo de fanatismo religioso (que infelizmente existe), mas do sentimento de União com Ele, com o UNO. Quando falamos em levantar os véus falamos de esoterismo, e falamos daquelas doutrinas e conhecimentos que antigamente eram destinados a poucos iniciados que recebiam as revelações sob juramento, reunidos em sociedades secretas. Poucos tinham acesso aos mistérios! A Igreja manteve nas bibliotecas do Vaticano inúmeros mistérios guardados em manuscritos e livros. Quem não leu o livro de Umberto Eco “O Nome da Rosa”? Hoje em dia, no entanto, ninguém mais se espanta, se um conhecido lhe revela pertencer à Maçonaria, à Ordem Rosa Cruz, ao Circulo do Pensamento Esotérico, ou a outro grupo de estudos esotéricos. Pelo contrário, os assuntos como a Cabala, a Astrologia, e outros tantos similares, estão abertos para todos. Então, por que não estudá-los, por que não compreendê-los melhor? Em geral temos uma grande preguiça para tudo o que é espiritual e, quando abordamos algo espiritual, muitas vezes o fazemos buscando conquistar algo material. Meu artigo da semana passada tratou desse assunto.
Essa semana, em que nos preparamos para ingressar no signo de Sagitário (o ingresso acontece no dia 22 de novembro às 13:49 h – Horário de Verão no Brasil), podemos começar a conversar com o Todo pedindo sua ajuda para que nos seja revelada nossa missão. A Cabala diz que a Luz nos fala diretamente à alma quando sonhamos ou quando meditamos profundamente em união espiritual com Deus. Comecem portanto a ficar atentos aos seus sonhos e peçam ao Gênio Cabalístico LELAHEL para que os ajude de maneira que sua alma, durante o sono, tenha acesso à Luz, e esta afaste todos os medos e incertezas mostrando-lhes o caminho a seguir.

Lelahel é o 6º Gênio cabalístico, cujo Salmo de oração é o de nº 9. Especialmente à noite, antes de dormir, rezem esse Salmo e peçam a revelação sobre os assuntos que estão causando ânsia e indecisão.
Falaremos mais sobre os sonhos reveladores e sobre a miraculosa energia do signo de Sagitário na próxima semana.
Boa semana a todos!
São Paulo, 12 de novembro de 2007
Graziella Marraccini é astróloga, taróloga, cabalista e estudiosa de ciências ocultas e dirige a Sirius Astrology.
terça-feira, novembro 20, 2007
Dia da Consciência Negra
O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca.
A semana dentro da qual está o dia 20 de novembro também recebe o nome de Semana da Consciência Negra.
Dados estatísticos
Segundo o IBGE, no Brasil os negros são correspondentes a menos de 10% da população. Os chamados "pardos", no entanto, que são mestiços de negros com europeus ou índios, chegam a um número próximo da metade da população.
Entre a população negra jovem (especificamente no segmento de 15 a 17 anos), 36,3% cursaram ou cursam o ensino médio; entre os brancos, a parcela é de 60%. Entre aqueles que têm até 24 anos, 57,2% dos brancos haviam atingido o ensino superior, contra apenas 18,4% dos negros.
O rendimento médio da população branca no Brasil é de R$ 812,00; já a dos negros é de R$ 409,00. Entre a parcela de 1% dos mais ricos do país, 86% são brancos.
Ligações externas: Fundação Palmares , Mundo Negro, portal dedicado a assuntos da comunidade negra, Bússola Escolar
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca.
A semana dentro da qual está o dia 20 de novembro também recebe o nome de Semana da Consciência Negra.
Dados estatísticos
Segundo o IBGE, no Brasil os negros são correspondentes a menos de 10% da população. Os chamados "pardos", no entanto, que são mestiços de negros com europeus ou índios, chegam a um número próximo da metade da população.
Entre a população negra jovem (especificamente no segmento de 15 a 17 anos), 36,3% cursaram ou cursam o ensino médio; entre os brancos, a parcela é de 60%. Entre aqueles que têm até 24 anos, 57,2% dos brancos haviam atingido o ensino superior, contra apenas 18,4% dos negros.
O rendimento médio da população branca no Brasil é de R$ 812,00; já a dos negros é de R$ 409,00. Entre a parcela de 1% dos mais ricos do país, 86% são brancos.
Ligações externas: Fundação Palmares , Mundo Negro, portal dedicado a assuntos da comunidade negra, Bússola Escolar
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
quarta-feira, outubro 03, 2007
Machado para o jovem leitor
por Milton Hatoum*
O texto inaugural desta coluna na EntreLivros intitula-se “A parasita azul e um professor cassado”. Nessa crônica, escrevi: “Dois acasos foram decisivos na minha juventude: o primeiro me conduziu à obra de Machado de Assis; o segundo, a uma biblioteca vasta e sombria, escondida numa sala subterrânea”.
Mais de dois anos depois, volto aos contos de Machado para dialogar com os professores.
Uma das questões sobre o ensino de literatura brasileira para jovens estudantes (da primeira à terceira série) diz respeito aos critérios da seleção bibliográfica. Infelizmente, prevalece a idéia de que os alunos não têm condições de ler textos complexos. Um texto complexo não é necessariamente pesado, chato, algo que se lê com extrema dificuldade. Para um jovem do nosso tempo, não deve ser fácil nem prazeroso ler um romance de Coelho Neto ou A bagaceira, de José Américo de Almeida. Esses, sim, são textos pesados, que carregam na ênfase e no vocabulário precioso. Confesso que, na minha juventude, penei para ler esses autores. E quando li dois romances extraordinários de prosadores nordestinos – O quinze, de Rachel de Queiroz, e Vidas secas, de Graciliano Ramos – o romance de José Américo tornou-se, por contraste, ainda mais enfadonho.
Mesmo Os sertões e O Ateneu – livros fundamentais da nossa literatura – são difíceis de ser assimilados por um jovem do ensino médio.
Passei por essa provação como se fosse uma penitência. De fato, minha leitura de trechos da obra-prima de Euclides da Cunha foi conseqüência de uma punição coletiva, um castigo imposto por um professor que não descobriu o culpado de uma infração grave, cometida no colégio onde eu estudava. Nessa mesma época, ganhei as obras completas de Machado de Assis e li o conto “A parasita azul”. Depois li os outros contos do volume Histórias da meia-noite. Gostava desse título, que me remetia a histórias de suspense, horror e mistério. Havia algum mistério e suspense nos contos, mas não da maneira que eu esperava. Lembro que os li com prazer, e me perguntei por que um dos professores de português nos obrigava a ler Coelho Neto e José de Alencar e não Machado de Assis. Por que Iracema e não Dom Casmurro? E, nesse caso, por que não ler ambos?
II
Havia – como ainda há – imposições curriculares, mas penso que isso é um equívoco, pois o leitor jovem e inexperiente pode odiar para sempre a literatura brasileira, pode pensar que só existem textos ásperos, cuja leitura é sinônimo de suplício. É inadmissível que tantos jovens desperdicem a oportunidade de ler “A causa secreta”, “O enfermeiro”, “Missa do galo”, “O espelho”, “Uns braços”, “Um homem célebre”, “Terpsícore”, “A cartomante”, “Evolução” e outros contos do Bruxo, um verdadeiro mestre da narrativa breve, que se situa no mesmo patamar de excelência de seus contemporâneos europeus.
É muito provável que esses contos sejam lidos e comentados sem enfado. Porque uma leitura enfadonha e arrastada é, para o leitor jovem – e talvez para todo leitor –, um ato de flagelação do espírito. Claro que há textos intricados e nada tediosos, que são imprescindíveis para quem gosta de literatura. Quem não se deleita com a leitura dos romances Grande sertão: veredas e O século das luzes? São livros para quem já passou por uma experiência de leitura e não se sente inibido diante de obras cuja linguagem enfatiza um notável trabalho de estilização. Mas um iniciante certamente encontrará dificuldade para ler esses romances.
Nos contos de Machado ocorre algo diferente. Com um estilo muito elaborado, mas pouco ou quase nada rebuscado, o narrador machadiano explora em poucas páginas a complexidade das relações humanas. Sua linguagem é densa sem ser retórica, e os contos são exemplos perfeitos de complexidade concentrada num texto conciso e exato.
Um exemplo é “A causa secreta”, publicado em 1885 na Gazeta de Notícias e incluído em Várias histórias (1895). Eis aí uma aula sobre o conto enquanto gênero literário. Logo no primeiro parágrafo, depois de apresentar as três principais personagens numa cena que poderia ser filmada, o narrador escreve: “Tempo é de contar essa história sem rebuço”. Ou seja, é tempo de ir diretamente ao miolo da questão. E a questão é, na verdade, um feixe de questões machadianas: o adultério, as relações sociais, a violência, a loucura, o amor, a dor moral. Em menos de 15 páginas, o narrador constrói uma das personagens mais terríveis da nossa literatura: um homem (Fortunato) que se ocupava “nas horas vagas em envenenar e rasgar gatos e cães”.
Fortunato revela o lado mais obscuro e violento do ser humano. Já é clássica a cena em que ele mutila e queima um rato “com um sorriso único” no rosto, “uma serenidade radiosa da fisionomia” ou “um vasto prazer, quieto e profundo”. No fim, a dor física dos animais é substituída pela dor moral de Garcia, quando este tentar beijar pela segunda vez Maria Luísa, já morta. Fortunato, o esposo e agora viúvo, “saboreou tranqüilo essa explosão de dor moral, que foi longa, muito longa, deliciosamente longa”.
III
Os professores que comentam esse conto em sala de aula sabem que os estudantes se interessam pelo texto. A leitura no cabresto é inconseqüente, pois o maior estímulo para um jovem reside no prazer da leitura. Há, sem dúvida, outros grandes autores cuja obra é estimulante. Os contos de Insônia e Laços de família são apenas dois exemplos, entre muitos da literatura brasileira. Mas os de Machado não podem ser esquecidos, porque estão no centro da nossa modernidade e irradiam uma das visões mais críticas e inteligentes sobre o ser humano e a sociedade brasileira.
*Milton Hatoum é escritor, autor de Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte, com o qual conquistou os prêmios Jabuti, como o livro do ano na categoria ficção, e Portugal Telecom, em primeiro lugar.
domingo, setembro 30, 2007
segunda-feira, setembro 24, 2007
Reforma ortográfica

O Brasil já está preparado para enfrentar algumas mudanças na língua portuguesa, mesmo sem saber quando ela vai acontecer
A reforma ortográfica foi mais uma vez adiada. A decisão da - Colip- Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa foi tomada na última sexta-feira. Apesar disso, o MEC- Ministério da Educação anunciou no início do mês que a licitação dos livros didáticos para a nova ortografia (que deveria entrar em vigor no início de 2008) já está preparada.
O assunto pode não ser o dos mais relevantes, já que outros temas políticos têm sido alvos da imprensa, porém, a sociedade precisa de uma satisfação e mais do que isso, tem de saber o que muda e o que continua igual nas regras da língua caso a idéia seja retomada.
Para esclarecer a questão, a reportagem do Guia da Semana resolveu colocar a mão na massa. A seguir, você vai entender porque essas mudanças vão ocorrer num futuro breve, a quem ela beneficia ou prejudica e como as escolas estão se preparando para essa readaptação, que apesar de atingir apenas cerca de 2% do idioma pode fazer a diferença durante uma prova, concurso ou vestibular.
A língua
O português é falado em oito países: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal. A língua tem duas grafias oficiais, o que acaba dificultando seu estabelecimento como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). E por isso, a necessidade de padronizá-la. A ortografia-padrão tem como objetivo facilitar o intercâmbio cultural entre essas nações. Segundo o MEC, com as normas unificadas o Brasil sairia do isolamento lingüístico, já que todos os outros da CPLP- Comunidade de Países da Língua Portuguesa- seguem o português de Portugal, dessa forma os livros brasileiros têm de ser traduzidos nesses países.
O acordo
A proposta para o acordo ortográfico foi apresentada para a CPLP em 1990 por Antônio Houaiss (1915-1999), um dos maiores estudiosos da língua. Entretanto, para ela ser aprovada era necessário que pelo menos três dos oito países lusófonos ratificassem o tal acordo. E até hoje, Brasil, São Tomé e Príncipe e Timor Leste já o fizeram. Logo, as mudanças poderiam entrar em vigor a qualquer momento. Porém, o adiamento da reforma segundo o presidente da Colip Godofredo de Oliveira Neto aconteceu porque Portugal não aceitou as novas regras da ortografia Por enquanto o acordo está suspenso . O Brasil deve esperar que o país aceite as mudanças. A verdade é que diferente do Brasil, Portugal não demonstrou nem uma vontade política e não está nem um pouco preocupado com isso nesse momento.
As mudanças na sala de aula
As novas regras da língua portuguesa quando acontecerem, serão aplicadas apenas na ortografia, as pronúncias típicas de cada país permanecem iguais. Para as escolas, não haverá uma divulgação oficial do início do acordo explica o diretor de conteúdo do colégio Pueri Domus Lilio Paoliello. Ele pode entrar em vigor em cada país, desde que três dos países de língua portuguesa o tenham aceito. Isso já aconteceu, mas como Portugal ainda não tomou posição, Brasil fica em uma posição não confortável para colocá-lo em ação. É mais uma questão diplomática do que ligada à educação.
De qualquer forma, as escolas particulares também estão preparadas para quando isso acontecer. O Pueri Domus é um exemplo: A partir do momento da opção do governo brasileiro, começaremos a redigir nossos textos do cotidiano e aqueles divulgados pela internet já conforme o acordo e toda vez que uma palavra com nova escrita for trabalhada em sala de aula, os professores chamarão a atenção dos alunos. Porém, não deve haver uma ´caça às bruxas´ ou uma ´cruzada da nova escrita´ para que o trabalho não tenha efeito contrário , finaliza Lilio.
Consultas• MEC- Ministério da Educação
• Colip- Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa
• CPLP -Comissão de Países de Língua Portuguesa
• Eduardo Martins em Iniciativa consagra diferenças irreconciliáveis, O Estado de S. Paulo.
• Colégio Pueri Domus
http://yahoo.guiadasemana.com.br/yahoo/iframe/channel_noticias.asp?id=12&cd_city=1&cd_news=31211
Museu da Língua Portuguesa
SOBRE O PROJETO
Justificativa
O tema central do museu é a língua portuguesa – a base da cultura brasileira. Trata-se de um museu vivo da língua, onde os brasileiros podem se reconhecer e se conhecer melhor; lugar que evoca a especificidade e a riqueza da língua portuguesa do Brasil e busca, assim, reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país.
O objetivo maior é fazer com que as pessoas se surpreendam e descubram aspectos da língua que falam, lêem e escrevem, bem como da cultura do país em que vivem, nos quais nunca haviam pensado antes. Que se espantem ao descobrir que sua língua tem todos aqueles aspectos ocultos. O alvo é a média da população brasileira, mulheres e homens provenientes de todas as regiões e faixas sociais do Brasil e cujo nível de instrução é, na maioria, médio ou baixo.
Essas pessoas utilizam o português – sua língua materna – das mais diversas maneiras: comunicam-se com muita criatividade, usam neologismos, inventam imagens, têm humor. Operam a língua com muita soltura, mas não têm idéia de sua história, de como ela se construiu e continua a construir-se. Deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa.
*
Localizado no Bairro da Luz, o prédio centenário da Estação da Luz constitui um dos mais importantes marcos históricos da cidade de São Paulo.
O prédio tem um traçado arquitetônico engenhoso e bastante peculiar. Foi construído pelos ingleses e inaugurado em 1901, em pleno ciclo do café, com o intuito de levar a produção das lavouras do interior do estado até o Porto de Santos – canal de saída para a Europa, principal consumidora da bebida brasileira.
Hoje, mais de 100 anos depois de sua inauguração, a Estação da Luz ainda é considerada um símbolo da riqueza do café e um dos mais importantes monumentos arquitetônicos de São Paulo.
Em suas novas funções como centro de valorização de nossa língua, o Museu da Língua Portuguesa deve se transformar numa referência que coloque o entendimento da língua – e não apenas da língua falada no Brasil – em um novo patamar. Espera-se que as pessoas venham a São Paulo para viver essa experiência nova
*
Mas o que pode levar as pessoas a viverem essa experiência – ou seja, a tomarem consciência de sua cultura através do conhecimento de sua língua?
O museu organiza um vasto conjunto de informações a partir de alguns eixos centrais. O primeiro deles é a antiguidade da língua portuguesa, uma língua de milênios. Isso implica retraçar brevemente a trajetória da língua, desde o Lácio, em Roma, até sua chegada no Brasil, depois de passar por outras partes do mundo.
O segundo eixo é a universalidade da língua portuguesa. A idéia de globalização surgiu após Portugal ter chegado na África, Índia e Ásia, com as grandes navegações. A viagem de circunavegação revelou a esfericidade da Terra. E o português foi introduzido em vários pontos do planeta.
É preciso lembrar que universalidade, nesse caso, não significa que o português seja a língua mais falada no mundo, embora o idioma seja usado hoje por 270 milhões de pessoas.
O terceiro aspecto destacado aqui é a mestiçagem da língua. O idioma falado no Brasil é tão misturado quanto a cor da pele das pessoas e a cultura do país. Assim, ele também está marcado pelos encontros e desencontros de povos e signos, por convergências e conflitos, por contradições e desigualdades. No Brasil, a língua, como as raças, amalgamou-se, dando unidade ao país.
Foi também a língua que, de certa forma, desenhou os limites do território brasileiro, com suas dimensões continentais: um brasileiro da Região Sul entendese perfeitamente com um brasileiro da Amazônia, apesar de ambos viverem em realidades culturais totalmente diferentes.
Também os norte-americanos de todo o território dos EUA se entendem em uma unidade lingüística admirável. A diferença de nossa unidade lingüística, porém, é o altíssimo grau de mestiçagem que constitui o português do Brasil. Não se trata apenas de padrões de fala ou ritmos diferenciados. Na verdade, há aqui uma alta carga de palavras não portuguesas – basicamente indígenas e africanas – que foram incorporadas ao uso cotidiano e estão presentes em nosso vocabulário.
Um quarto aspecto abordado no museu diz respeito ao fato de que a língua portuguesa do Brasil está incessantemente construindo mundos, através das artes. A língua é a matéria-prima por excelência da literatura e da poesia, e compõe também as artes visuais, o teatro, a música e as artes plásticas.
O que quer e o que pode essa língua, pergunta o poeta? E aqui abre-se um universo extenso de referências: é Guimarães Rosa e Machado de Assis; é o cordel e João Cabral de Mello Neto; é Drummond e Bandeira; Mario e Oswald; são os irmãos Campos e Caetano Veloso; padre Vieira e Gregório de Mattos; Chico Buarque e Glauber Rocha; Luiz Gonzaga e os samba-enredos; Wally Salomão, Marcelo D2 e Patativa do Assaré. A lista parece não ter fim.
Ao mesmo tempo, a língua estrutura nosso cotidiano em todo o país. Do jornal diário aos grafites das ruas, das juras de amor aos manuais, dos outdoors às placas de ônibus, das bulas de remédio às novelas e propagandas de TV, estamos imersos em um imenso manancial de informações veiculadas através da língua que falamos, lemos e escrevemos.
Convivem no Brasil de hoje inúmeras variantes da língua, decorrentes das experiências regionais e locais, de especificidades socioculturais e dos cruzamentos que se vêm fazendo ao longo do tempo, com contribuições múltiplas. Somadas, constituem o português do Brasil. Uma língua que está em intenso movimento, recriada de diferentes maneiras e diariamente, em cada recanto do país.
A língua é um instrumento privilegiado para a transmissão organizada de conhecimentos. A linguagem oral e a escrita produzem e reproduzem incessantemente novos e velhos significados, criando e recriando as sociedades, sejam elas tradicionais, sejam modernas. Ela é também a língua da história, das ciências e da educação.
Significado do Projeto
Mas qual é a importância de tudo isso? Qual é a mensagem maior que se quer transmitir no Museu da Língua Portuguesa? O que se espera que as pessoas sintam depois de visitá-lo?
A mensagem central contida no museu é que essa língua portuguesa que unifica um país do tamanho do Brasil é a forma de expressão de uma cultura rica e diversa que carrega consigo uma mensagem singular em meio às nações. Pois, apesar das grandes desigualdades sociais e econômicas em que está imerso, o Brasil tem como um de seus mais relevantes traços distintivos a capacidade de tolerância. Nesse território, desenvolveram-se formas de convivência e respeito às diversidades de que o mundo necessita.
Os brasileiros, porém, não têm uma consciência muito profunda da civilização que construíram e dos valores que conquistaram através dessa civilização. Crêem-se inferiores a outros povos e culturas, o que os predispõe muitas vezes a receber e absorver toda e qualquer interferência que venha de fora, sem distinção.
Trata-se, portanto, e antes de tudo, de ampliar a auto-estima dos brasileiros e fazê-los acreditar que, conhecendo-se a si mesmos, eles poderão inventar, com originalidade, o futuro que desejarem.
E, num momento em que o mundo passa por uma homogeneização cultural trazida pela economia globalizada, poderemos valorizar – e até exportar – a aceitação da diversidade, característica que nos é tão cara.
*
Mais do que uma celebração da língua, o Museu da Língua Portuguesa é, portanto, uma celebração da identidade brasileira. Existiriam várias outras formas de fazê-lo. Poderíamos criar um museu do futebol, um museu do Carnaval ou um museu do barroco – que é uma invenção tropical luso-brasileira e, portanto, mestiça. Mas escolhemos ocupar esse espaço com um centro de celebração da língua. Se, como diz um verso do poeta português Fernando Pessoa, “minha pátria é minha língua”, acreditamos que nada melhor do que a língua para reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país.
Objetivos do Museu
O projeto tem quatro objetivos básicos. São eles:
1) oferecer ao público em geral um conjunto de informações audiovisuais de caráter histórico, social e cultural sobre a língua portuguesa em suas várias dimensões e possibilidades, organizado de maneira dinâmica e atraente em uma grande exposição permanente e em exposições temporárias;
2) proporcionar a estudantes e estudiosos conferências, mesas-redondas, cursos e eventos interdisciplinares relativos à língua em seus vários aspectos;
3) gerar produtos educacionais, como monitoria para escolas e atividades para formação de professores;
4) disponibilizar conteúdos virtuais através do Portal da Língua Portuguesa.
Já existe uma base sólida de conhecimentos produzidos sobre a língua e a cultura brasileira. O museu tem conexões com as instituições, os trabalhos e as pessoas que estão envolvidas nessa produção. Citando um exemplo: uma das características da língua portuguesa do Brasil é a forte presença em nosso vocabulário cotidiano de palavras indígenas e africanas. É desejável que o museu se conecte a um grande número de instituições e especialistas que se dedicam ao estudo dessas línguas, disponibilizando para o público o acesso a esses acervos tecnológicos.
Dessa forma, o público poderá mergulhar no tema em diferentes níveis de profundidade. E o museu, em seu conjunto, se constituirá em um importante centro irradiador de conhecimentos sobre a língua.
*
Há também um ingrediente geopolítico no museu: existe um forte movimento dos países de língua espanhola, especialmente da Espanha, de afirmação da língua hispânica, com foco claro nos Estados Unidos e na Europa. Ao visitarmos qualquer universidade estrangeira, seja americana, seja européia, encontramos departamentos de estudos de língua dedicados ao espanhol.
O museu pretende conectar-se também com esses ambientes no exterior para o fortalecimento do olhar sobre a língua portuguesa, transformando-se, para os brasileiros e para os demais povos de língua portuguesa, em um centro de referência da mesma natureza que um Instituto Goethe ou um Instituto Cervantes. Isso seria muito útil para a consolidação da comunidade de povos de língua portuguesa.
Nesse sentido, existem protocolos de intenção assinados com instituições internacionais, tais como a própria CPLP e o Instituto Camões e uma importante parceria já firmada com a Fundação Calouste Gulbenkian.
*
Talvez essa seja a primeira vez no mundo em que se pretendeu dar um tratamento museológico à língua, tratando-a como uma obra de arte. Desejamos oferecer ao público a possibilidade de fruir sua língua, fazendo-o pensar nela como em uma invenção do homem.
A Natureza da Experiência
O Museu da Língua Portuguesa, portanto:
1) dirige-se a um público amplo e variado, de jovens e adultos, em um espaço atraente e instigante, estimulando atitudes pró-ativas, através de múltiplas possibilidades de interatividade;
2) explora as potencialidades da língua portuguesa em seus aspectos temáticos e históricos;
3) utiliza modernos recursos tecnológicos e de comunicação, tendo como matéria-prima básica iconografia variada, filmes, vídeos, música e poesia;
4) oferece ao visitante momentos alternados de experiências individuais e coletivas, em um diálogo permanente e surpreendente entre conteúdos e abordagens variados;
5) propicia uma experiência acolhedora e amplamente democrática.
Marcos Conceituais de Conteúdo
Argumento para a criação do audiovisual do Auditório
Antonio Risério
Grande Galeria - Natureza e Cultura
Manuela Carneiro da Cunha
Grande Galeria - Religião
Antonio Risério
Grande Galeria - Dança
Antonio Risério
Grande Galeria - Futebol
Antonio Risério
Grande Galeria - Integração Nacional
Antonio Risério
Grande Galeria - Carnaval
Antonio Risério
Grande Galeria - Relações Humanas
Antonio Risério
Grande Galeria - Música
Antonio Risério
Grande Galeria - Festas
Antonio Risério
Grande Galeria - Valores Saberes
Antonio Risério
Gírias
Marilza Oliveira
Carnaval do Rio de Janeiro
Marilza Oliveira
Expressões e gírias
Marilza Oliveira
Frases de pára-choques de caminhão
Marilza Oliveira
Criação Lexical Artística
Marilza Oliveira
Lanternas - Línguas Africanas
Lanternas - Línguas Africanas II
Lanternas – Espanhol
Lanternas – Línguas dos Imigrantes
Lanternas – Línguas Indígenas I
Lanternas – Inglês e Francês
Praça da Língua
Sala de Etimologia
Mário Eduardo Viário
Sala de Etimologia versão 2
Mário Eduardo Viário
Sala de Etimologia versão 2b
Mário Eduardo Viário
Endereço:
Praça da Luz, s/nº
São Paulo - SP
Cep: 01120-010
Telefone:
(11) 3326-0775
Atendimento: de 9h às 18h
Horário:
De segunda a sexta-feira
Justificativa
O tema central do museu é a língua portuguesa – a base da cultura brasileira. Trata-se de um museu vivo da língua, onde os brasileiros podem se reconhecer e se conhecer melhor; lugar que evoca a especificidade e a riqueza da língua portuguesa do Brasil e busca, assim, reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país.
O objetivo maior é fazer com que as pessoas se surpreendam e descubram aspectos da língua que falam, lêem e escrevem, bem como da cultura do país em que vivem, nos quais nunca haviam pensado antes. Que se espantem ao descobrir que sua língua tem todos aqueles aspectos ocultos. O alvo é a média da população brasileira, mulheres e homens provenientes de todas as regiões e faixas sociais do Brasil e cujo nível de instrução é, na maioria, médio ou baixo.
Essas pessoas utilizam o português – sua língua materna – das mais diversas maneiras: comunicam-se com muita criatividade, usam neologismos, inventam imagens, têm humor. Operam a língua com muita soltura, mas não têm idéia de sua história, de como ela se construiu e continua a construir-se. Deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa.
*
Localizado no Bairro da Luz, o prédio centenário da Estação da Luz constitui um dos mais importantes marcos históricos da cidade de São Paulo.
O prédio tem um traçado arquitetônico engenhoso e bastante peculiar. Foi construído pelos ingleses e inaugurado em 1901, em pleno ciclo do café, com o intuito de levar a produção das lavouras do interior do estado até o Porto de Santos – canal de saída para a Europa, principal consumidora da bebida brasileira.
Hoje, mais de 100 anos depois de sua inauguração, a Estação da Luz ainda é considerada um símbolo da riqueza do café e um dos mais importantes monumentos arquitetônicos de São Paulo.
Em suas novas funções como centro de valorização de nossa língua, o Museu da Língua Portuguesa deve se transformar numa referência que coloque o entendimento da língua – e não apenas da língua falada no Brasil – em um novo patamar. Espera-se que as pessoas venham a São Paulo para viver essa experiência nova
*
Mas o que pode levar as pessoas a viverem essa experiência – ou seja, a tomarem consciência de sua cultura através do conhecimento de sua língua?
O museu organiza um vasto conjunto de informações a partir de alguns eixos centrais. O primeiro deles é a antiguidade da língua portuguesa, uma língua de milênios. Isso implica retraçar brevemente a trajetória da língua, desde o Lácio, em Roma, até sua chegada no Brasil, depois de passar por outras partes do mundo.
O segundo eixo é a universalidade da língua portuguesa. A idéia de globalização surgiu após Portugal ter chegado na África, Índia e Ásia, com as grandes navegações. A viagem de circunavegação revelou a esfericidade da Terra. E o português foi introduzido em vários pontos do planeta.
É preciso lembrar que universalidade, nesse caso, não significa que o português seja a língua mais falada no mundo, embora o idioma seja usado hoje por 270 milhões de pessoas.
O terceiro aspecto destacado aqui é a mestiçagem da língua. O idioma falado no Brasil é tão misturado quanto a cor da pele das pessoas e a cultura do país. Assim, ele também está marcado pelos encontros e desencontros de povos e signos, por convergências e conflitos, por contradições e desigualdades. No Brasil, a língua, como as raças, amalgamou-se, dando unidade ao país.
Foi também a língua que, de certa forma, desenhou os limites do território brasileiro, com suas dimensões continentais: um brasileiro da Região Sul entendese perfeitamente com um brasileiro da Amazônia, apesar de ambos viverem em realidades culturais totalmente diferentes.
Também os norte-americanos de todo o território dos EUA se entendem em uma unidade lingüística admirável. A diferença de nossa unidade lingüística, porém, é o altíssimo grau de mestiçagem que constitui o português do Brasil. Não se trata apenas de padrões de fala ou ritmos diferenciados. Na verdade, há aqui uma alta carga de palavras não portuguesas – basicamente indígenas e africanas – que foram incorporadas ao uso cotidiano e estão presentes em nosso vocabulário.
Um quarto aspecto abordado no museu diz respeito ao fato de que a língua portuguesa do Brasil está incessantemente construindo mundos, através das artes. A língua é a matéria-prima por excelência da literatura e da poesia, e compõe também as artes visuais, o teatro, a música e as artes plásticas.
O que quer e o que pode essa língua, pergunta o poeta? E aqui abre-se um universo extenso de referências: é Guimarães Rosa e Machado de Assis; é o cordel e João Cabral de Mello Neto; é Drummond e Bandeira; Mario e Oswald; são os irmãos Campos e Caetano Veloso; padre Vieira e Gregório de Mattos; Chico Buarque e Glauber Rocha; Luiz Gonzaga e os samba-enredos; Wally Salomão, Marcelo D2 e Patativa do Assaré. A lista parece não ter fim.
Ao mesmo tempo, a língua estrutura nosso cotidiano em todo o país. Do jornal diário aos grafites das ruas, das juras de amor aos manuais, dos outdoors às placas de ônibus, das bulas de remédio às novelas e propagandas de TV, estamos imersos em um imenso manancial de informações veiculadas através da língua que falamos, lemos e escrevemos.
Convivem no Brasil de hoje inúmeras variantes da língua, decorrentes das experiências regionais e locais, de especificidades socioculturais e dos cruzamentos que se vêm fazendo ao longo do tempo, com contribuições múltiplas. Somadas, constituem o português do Brasil. Uma língua que está em intenso movimento, recriada de diferentes maneiras e diariamente, em cada recanto do país.
A língua é um instrumento privilegiado para a transmissão organizada de conhecimentos. A linguagem oral e a escrita produzem e reproduzem incessantemente novos e velhos significados, criando e recriando as sociedades, sejam elas tradicionais, sejam modernas. Ela é também a língua da história, das ciências e da educação.
Significado do Projeto
Mas qual é a importância de tudo isso? Qual é a mensagem maior que se quer transmitir no Museu da Língua Portuguesa? O que se espera que as pessoas sintam depois de visitá-lo?
A mensagem central contida no museu é que essa língua portuguesa que unifica um país do tamanho do Brasil é a forma de expressão de uma cultura rica e diversa que carrega consigo uma mensagem singular em meio às nações. Pois, apesar das grandes desigualdades sociais e econômicas em que está imerso, o Brasil tem como um de seus mais relevantes traços distintivos a capacidade de tolerância. Nesse território, desenvolveram-se formas de convivência e respeito às diversidades de que o mundo necessita.
Os brasileiros, porém, não têm uma consciência muito profunda da civilização que construíram e dos valores que conquistaram através dessa civilização. Crêem-se inferiores a outros povos e culturas, o que os predispõe muitas vezes a receber e absorver toda e qualquer interferência que venha de fora, sem distinção.
Trata-se, portanto, e antes de tudo, de ampliar a auto-estima dos brasileiros e fazê-los acreditar que, conhecendo-se a si mesmos, eles poderão inventar, com originalidade, o futuro que desejarem.
E, num momento em que o mundo passa por uma homogeneização cultural trazida pela economia globalizada, poderemos valorizar – e até exportar – a aceitação da diversidade, característica que nos é tão cara.
*
Mais do que uma celebração da língua, o Museu da Língua Portuguesa é, portanto, uma celebração da identidade brasileira. Existiriam várias outras formas de fazê-lo. Poderíamos criar um museu do futebol, um museu do Carnaval ou um museu do barroco – que é uma invenção tropical luso-brasileira e, portanto, mestiça. Mas escolhemos ocupar esse espaço com um centro de celebração da língua. Se, como diz um verso do poeta português Fernando Pessoa, “minha pátria é minha língua”, acreditamos que nada melhor do que a língua para reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país.
Objetivos do Museu
O projeto tem quatro objetivos básicos. São eles:
1) oferecer ao público em geral um conjunto de informações audiovisuais de caráter histórico, social e cultural sobre a língua portuguesa em suas várias dimensões e possibilidades, organizado de maneira dinâmica e atraente em uma grande exposição permanente e em exposições temporárias;
2) proporcionar a estudantes e estudiosos conferências, mesas-redondas, cursos e eventos interdisciplinares relativos à língua em seus vários aspectos;
3) gerar produtos educacionais, como monitoria para escolas e atividades para formação de professores;
4) disponibilizar conteúdos virtuais através do Portal da Língua Portuguesa.
Já existe uma base sólida de conhecimentos produzidos sobre a língua e a cultura brasileira. O museu tem conexões com as instituições, os trabalhos e as pessoas que estão envolvidas nessa produção. Citando um exemplo: uma das características da língua portuguesa do Brasil é a forte presença em nosso vocabulário cotidiano de palavras indígenas e africanas. É desejável que o museu se conecte a um grande número de instituições e especialistas que se dedicam ao estudo dessas línguas, disponibilizando para o público o acesso a esses acervos tecnológicos.
Dessa forma, o público poderá mergulhar no tema em diferentes níveis de profundidade. E o museu, em seu conjunto, se constituirá em um importante centro irradiador de conhecimentos sobre a língua.
*
Há também um ingrediente geopolítico no museu: existe um forte movimento dos países de língua espanhola, especialmente da Espanha, de afirmação da língua hispânica, com foco claro nos Estados Unidos e na Europa. Ao visitarmos qualquer universidade estrangeira, seja americana, seja européia, encontramos departamentos de estudos de língua dedicados ao espanhol.
O museu pretende conectar-se também com esses ambientes no exterior para o fortalecimento do olhar sobre a língua portuguesa, transformando-se, para os brasileiros e para os demais povos de língua portuguesa, em um centro de referência da mesma natureza que um Instituto Goethe ou um Instituto Cervantes. Isso seria muito útil para a consolidação da comunidade de povos de língua portuguesa.
Nesse sentido, existem protocolos de intenção assinados com instituições internacionais, tais como a própria CPLP e o Instituto Camões e uma importante parceria já firmada com a Fundação Calouste Gulbenkian.
*
Talvez essa seja a primeira vez no mundo em que se pretendeu dar um tratamento museológico à língua, tratando-a como uma obra de arte. Desejamos oferecer ao público a possibilidade de fruir sua língua, fazendo-o pensar nela como em uma invenção do homem.
A Natureza da Experiência
O Museu da Língua Portuguesa, portanto:
1) dirige-se a um público amplo e variado, de jovens e adultos, em um espaço atraente e instigante, estimulando atitudes pró-ativas, através de múltiplas possibilidades de interatividade;
2) explora as potencialidades da língua portuguesa em seus aspectos temáticos e históricos;
3) utiliza modernos recursos tecnológicos e de comunicação, tendo como matéria-prima básica iconografia variada, filmes, vídeos, música e poesia;
4) oferece ao visitante momentos alternados de experiências individuais e coletivas, em um diálogo permanente e surpreendente entre conteúdos e abordagens variados;
5) propicia uma experiência acolhedora e amplamente democrática.
Marcos Conceituais de Conteúdo
Argumento para a criação do audiovisual do Auditório
Antonio Risério
Grande Galeria - Natureza e Cultura
Manuela Carneiro da Cunha
Grande Galeria - Religião
Antonio Risério
Grande Galeria - Dança
Antonio Risério
Grande Galeria - Futebol
Antonio Risério
Grande Galeria - Integração Nacional
Antonio Risério
Grande Galeria - Carnaval
Antonio Risério
Grande Galeria - Relações Humanas
Antonio Risério
Grande Galeria - Música
Antonio Risério
Grande Galeria - Festas
Antonio Risério
Grande Galeria - Valores Saberes
Antonio Risério
Gírias
Marilza Oliveira
Carnaval do Rio de Janeiro
Marilza Oliveira
Expressões e gírias
Marilza Oliveira
Frases de pára-choques de caminhão
Marilza Oliveira
Criação Lexical Artística
Marilza Oliveira
Lanternas - Línguas Africanas
Lanternas - Línguas Africanas II
Lanternas – Espanhol
Lanternas – Línguas dos Imigrantes
Lanternas – Línguas Indígenas I
Lanternas – Inglês e Francês
Praça da Língua
Sala de Etimologia
Mário Eduardo Viário
Sala de Etimologia versão 2
Mário Eduardo Viário
Sala de Etimologia versão 2b
Mário Eduardo Viário
Endereço:
Praça da Luz, s/nº
São Paulo - SP
Cep: 01120-010
Telefone:
(11) 3326-0775
Atendimento: de 9h às 18h
Horário:
De segunda a sexta-feira
domingo, setembro 16, 2007
Google vai à Lua
Empresa patrocina competição espacial com prêmio de US$ 30 milhões
O Google e a fundação X PRIZE anunciaram o lançamento da competição Google Lunar X Prize, que irá oferecer um prêmio de US$ 20 milhões à primeira equipe que colocar um veículo robótico na superfície da Lua e transmitir de volta um gigabyte de fotos e vídeos em alta definição. Também haverá um prêmio de US$ 5 milhões para o segundo colocado, bem como outro prêmio de US$ 5 milhões para a equipe que conseguir completar uma série de desafios, como sobreviver a uma noite lunar, percorrer distâncias superiores a cinco quilômetros e fotografar objetos feitos pelo homem deixados para trás durante as missões Apollo, dos EUA, e Luna, da extinta União Soviética. Os prêmios são válidos até o dia 31 de Dezembro de 2012. Após esta data, o primeiro prêmio será reduzido para US$ 10 milhões até 31 de Dezembro de 2014, data na qual o concurso se encerra. A primeira edição do X PRIZE, em 2004, resultou no primeiro vôo orbital tripulado por uma aeronave construída e operada por uma entidade civil. A equipe vencedora foi a Tier One, da empresa Scaled Composites, liderada pelo projetista de aeronaves Burt Rutan e patrocinada por Paul Allen, co-fundador da Microsoft. O vôo foi feito em 4 de Outubro de 2004, pelo piloto Mike Mellvin. Mais informações sobre a competição em www.googlelunarxprize.org
Artigo publicado no http://olhardigital.uol.com.br/digitalnews1.php?NoticiaID=3249
O Google e a fundação X PRIZE anunciaram o lançamento da competição Google Lunar X Prize, que irá oferecer um prêmio de US$ 20 milhões à primeira equipe que colocar um veículo robótico na superfície da Lua e transmitir de volta um gigabyte de fotos e vídeos em alta definição. Também haverá um prêmio de US$ 5 milhões para o segundo colocado, bem como outro prêmio de US$ 5 milhões para a equipe que conseguir completar uma série de desafios, como sobreviver a uma noite lunar, percorrer distâncias superiores a cinco quilômetros e fotografar objetos feitos pelo homem deixados para trás durante as missões Apollo, dos EUA, e Luna, da extinta União Soviética. Os prêmios são válidos até o dia 31 de Dezembro de 2012. Após esta data, o primeiro prêmio será reduzido para US$ 10 milhões até 31 de Dezembro de 2014, data na qual o concurso se encerra. A primeira edição do X PRIZE, em 2004, resultou no primeiro vôo orbital tripulado por uma aeronave construída e operada por uma entidade civil. A equipe vencedora foi a Tier One, da empresa Scaled Composites, liderada pelo projetista de aeronaves Burt Rutan e patrocinada por Paul Allen, co-fundador da Microsoft. O vôo foi feito em 4 de Outubro de 2004, pelo piloto Mike Mellvin. Mais informações sobre a competição em www.googlelunarxprize.org
Artigo publicado no http://olhardigital.uol.com.br/digitalnews1.php?NoticiaID=3249
sábado, agosto 25, 2007
Se eu pudesse voltar atrás

Se eu pudesse voltar atrás
Acho que teria errado duas
Vezes mais
Pensava em ser policial
Envolver-me na luta do bem contra o mal
Era o meu sonho de infância
Liga da justiça, ser um super-herói
Adorava os filmes de Caubóis
Onde o xerife acabava com o bandido
Mas eu cresci e descobri que o criminoso
Pode ser subtendido
Sob a batina do cardeal
Ou o terno do executivo
Na esquina pedindo esmola
Ou nos degraus do legislativo
O difícil é encontrar um culpado
Em nosso país tão corrompido!
É mais fácil apontar
E dizer que não estou envolvido
Como fazemos todos nós ao sermos surpreendidos!
E não adianta vir dizendo que é esse ou aquele partido
A verdade é que continuamos subdesenvolvidos!
Raul Sidarta
Publicado no Recanto das Letras em 21/08/2007
Código do texto: T617971
http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/617971
www.cancerdemama.com.br
"Campanha da Mamografia Digital Gratuita".
Ao acessar www.cancerdemama.com.br você contribui para que o site consiga os cliques necessários para alcançar a cota que lhe permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.
Ao acessar www.cancerdemama.com.br você contribui para que o site consiga os cliques necessários para alcançar a cota que lhe permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.
quarta-feira, agosto 15, 2007
Aposta na Consciência
Jogos podem proporcionar maneiras criativas de testar a percepção e a intuição
por Christof Koch e Kerstin Preuschoff
Muitas de nossas ações se passam fora do alcance da consciência: se ajustamos nossa postura corporal ou se decidimos casar, com freqüência não temos idéia por que ou como fazemos certas coisas. A noção freudiana de que a maior parte de nossa vida mental é inconsciente é difícil de ser estabelecida de maneira rigorosa. Embora pareça fácil responder à pergunta “você (conscientemente) viu a luz acender?”, mais de um século de pesquisa mostrou que não é bem assim. O problema-chave é definir a consciência de tal forma que seja possível medi-la de maneira independente do estado interno do cérebro do indivíduo, ao mesmo tempo que se “capta” seu caráter subjetivo.
Uma avaliação experimental comum da consciência – da sensação percebida ou do pensamento – é baseada na “confiança”. Por exemplo: um voluntário tem de julgar se uma nuvem de pontos numa tela de computador se move para a esquerda ou para a direita. Ele então relata quão confiante se sente assinalando um número – por exemplo, 1 para indicar puro palpite, 2 para alguma hesitação e 3 para certeza completa. Esse procedimento mostra que quando o participante tem pouca percepção da direção do movimento dos pontos sua confiança é baixa, enquanto quando ele “vê” claramente o movimento sua confiança é alta.
QUESTÃO DO DINHEIRO
Um relatório apresentado recentemente pelos pesquisadores Navindra Persaud, da Universidade de Toronto, Peter McLeod e Alan Cowey, ambos da Universidade de Oxford, apresenta uma forma mais objetiva para mensurar a consciência, valendo-se do desejo das pessoas de ganhar dinheiro. Esse método foi adaptado da economia, em que é usado para avaliar a crença da pessoa a respeito do resultado provável de um evento. Aqueles que sabem que têm as informações adequadas estão dispostos a apostar nisso. Isto é, aceitam pagar para ver. Pense no investimento em fundos mútuos. Quanto mais certo você estiver de que a alta tecnologia irá render bem no ano seguinte, mais dinheiro irá alocar para um fundo desse setor de alta tecnologia.
Persaud e seus colegas usam esse tipo de aposta para revelar a consciência – ou a falta dela. Em seus experimentos, os participantes não declaram confiança na percepção de maneira direita. Em vez disso, primeiro tomam uma decisão com base naquilo que perceberam e então apostam uma quantia tendo por base o grau de confiança na própria decisão. Se a escolha se mostra correta, o voluntário ganha o dinheiro; caso contrário, perde. A estratégia ideal é apostar sempre que se sinta seguro. As experiências aplicam essa técnica de apostas para três exemplos do processamento não-consciente.
O primeiro envolve o paciente G. Y. Devido a um acidente de carro que danificou áreas no seu cérebro envolvidas no processamento visual, tem o que se costuma chamar de “visão cega”. Essa condição o deixa com a capacidade não-consciente de localizar uma luz ou relatar a direção na qual uma barra colocada numa tela de computador está se movendo, embora ele negue ter a experiência visual e insista que está apenas chutando.
Porém, ele falha em converter seu bom desempenho superior em dinheiro quando aposta; coloca quantias altas em apenas cerca da metade (48%) de suas escolhas corretas. Quando consciente do estímulo, G. Y. aposta alto – exatamente o que qualquer pessoa faria. Suas apostas parecem espelhar a percepção consciente que tem do estímulo (isto é, a crença de que ele o viu) em vez de sua detecção real (inconsciente) do estímulo. Isso sugere que as apostas podem servir como meio de medir a consciência.
O segundo experimento envolve uma tarefa de uma gramática artificial, na qual participantes aprendem um pequeno número de seqüências de poucas letras. É dito a eles que as seqüências obedecem a uma única regra (por exemplo: todo “x” é seguido por um “a”). Mas não lhes é dito qual é a regra. Quando vêem uma nova seqüência, os participantes podem com freqüência determinar de maneira correta se esta segue a regra desconhecida. Ainda assim, os voluntários apenas raramente a expressam porque ficam em dúvida se a seqüência obedece ou não a regra. A taxa geral de classificação correta (81%) é bem melhor do que o acaso. Ainda assim os participantes não convertem esse desempenho em dinheiro. Apostas altas são seguidas por uma escolha correta em 45% do tempo e uma opção equivocada em 32% dos casos. Em resumo, os participantes do estudo normalmente estão certos de que a seqüência segue a regra, mas não têm confiança suficiente para apostar nisso.
MÃOS VENCEDORAS
No experimento final, chamado “a tarefa de aposta de Iowa”, são usados quatro baralhos. As pessoas pegam a primeira carta de um deles. Cada lâmina faz com que o voluntário ganhe ou perca certo valor em dinheiro. Sem que os participantes saibam, dois dos quatro montes têm um “rendimento líquido” positivo e dois, negativo. Os jogadores precisam realizar uma aposta na carta escolhida antes que ela seja revelada – e perder ou ganhar de acordo com isso. No teste, os participantes desviravam um grande número de cartas, uma por uma, descobrindo a cada vez se iam ganhar ou perder. Eles quase sempre descobriam quais baralhos eram ganhadores e começavam a puxar cartas na maior parte das vezes – mas normalmente desviravam ao menos 30 cartas nesses baralhos antes de ganhar a confiança para apostar de forma agressiva nos resultados. Isto é, as pessoas só começavam a ganhar dinheiro muito depois do momento em que seu próprio comportamento deveria ter revelado que sabiam quais baralhos eram vencedores.
Para explorar essa hesitação, Persaud e seus colegas usaram uma variação desse experimento na qual interrogavam os participantes a cada décimo teste em relação a tudo que estes sabiam sobre o jogo e os baralhos. Quando os participantes examinavam assim seu conhecimento do jogo, o intervalo entre o início da escolha do baralho positivo e as apostas vantajosas desaparecia, sugerindo que o ato de introspecção altera a percepção dos participantes. Examinar o próprio conhecimento os tornou mais conscientes do que eles sabiam. Essa descoberta indica que apostas feitas com base em conhecimentos a respeito dos quais ainda não se está consciente podem ter melhores resultados, uma demonstração da utilidade da máxima “conhece-te a ti mesmo” da filosofia ocidental.
As técnicas de apostas usadas por Persaud, McLeod e Cowey dependem da capacidade intuitiva de as pessoas fazerem boas escolhas – e, nesse caso específico, obter lucros. Em comparação com a tática de forçar participantes a se tornar cientes de sua própria consciência – e nesse processo perturbar o próprio fenômeno que se deseja medir –, as apostas representam uma forma mais sutil de avaliar a percepção, mostrando-se uma nova maneira mais lúdica – e reveladora – de estudar a percepção e a consciência. Desses passos, aparentemente pequenos, surgem possibilidades para responder à antiga questão: como a consciência surge a partir da experiência?
Artigo da Revista Mente e Cérebro
edição 175 - Agosto 2007
Christof Koch é professor de biologia e engenharia do Instituto de Tecnologia da Califórnia e consultor científico da Scientific American-Mind.
Kerstin Preuschoff é pesquisadora, pós-doutorada em teoria da decisão e neurociências.
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/aposta_na_consciencia.html
por Christof Koch e Kerstin Preuschoff
Muitas de nossas ações se passam fora do alcance da consciência: se ajustamos nossa postura corporal ou se decidimos casar, com freqüência não temos idéia por que ou como fazemos certas coisas. A noção freudiana de que a maior parte de nossa vida mental é inconsciente é difícil de ser estabelecida de maneira rigorosa. Embora pareça fácil responder à pergunta “você (conscientemente) viu a luz acender?”, mais de um século de pesquisa mostrou que não é bem assim. O problema-chave é definir a consciência de tal forma que seja possível medi-la de maneira independente do estado interno do cérebro do indivíduo, ao mesmo tempo que se “capta” seu caráter subjetivo.
Uma avaliação experimental comum da consciência – da sensação percebida ou do pensamento – é baseada na “confiança”. Por exemplo: um voluntário tem de julgar se uma nuvem de pontos numa tela de computador se move para a esquerda ou para a direita. Ele então relata quão confiante se sente assinalando um número – por exemplo, 1 para indicar puro palpite, 2 para alguma hesitação e 3 para certeza completa. Esse procedimento mostra que quando o participante tem pouca percepção da direção do movimento dos pontos sua confiança é baixa, enquanto quando ele “vê” claramente o movimento sua confiança é alta.
QUESTÃO DO DINHEIRO
Um relatório apresentado recentemente pelos pesquisadores Navindra Persaud, da Universidade de Toronto, Peter McLeod e Alan Cowey, ambos da Universidade de Oxford, apresenta uma forma mais objetiva para mensurar a consciência, valendo-se do desejo das pessoas de ganhar dinheiro. Esse método foi adaptado da economia, em que é usado para avaliar a crença da pessoa a respeito do resultado provável de um evento. Aqueles que sabem que têm as informações adequadas estão dispostos a apostar nisso. Isto é, aceitam pagar para ver. Pense no investimento em fundos mútuos. Quanto mais certo você estiver de que a alta tecnologia irá render bem no ano seguinte, mais dinheiro irá alocar para um fundo desse setor de alta tecnologia.
Persaud e seus colegas usam esse tipo de aposta para revelar a consciência – ou a falta dela. Em seus experimentos, os participantes não declaram confiança na percepção de maneira direita. Em vez disso, primeiro tomam uma decisão com base naquilo que perceberam e então apostam uma quantia tendo por base o grau de confiança na própria decisão. Se a escolha se mostra correta, o voluntário ganha o dinheiro; caso contrário, perde. A estratégia ideal é apostar sempre que se sinta seguro. As experiências aplicam essa técnica de apostas para três exemplos do processamento não-consciente.
O primeiro envolve o paciente G. Y. Devido a um acidente de carro que danificou áreas no seu cérebro envolvidas no processamento visual, tem o que se costuma chamar de “visão cega”. Essa condição o deixa com a capacidade não-consciente de localizar uma luz ou relatar a direção na qual uma barra colocada numa tela de computador está se movendo, embora ele negue ter a experiência visual e insista que está apenas chutando.
Porém, ele falha em converter seu bom desempenho superior em dinheiro quando aposta; coloca quantias altas em apenas cerca da metade (48%) de suas escolhas corretas. Quando consciente do estímulo, G. Y. aposta alto – exatamente o que qualquer pessoa faria. Suas apostas parecem espelhar a percepção consciente que tem do estímulo (isto é, a crença de que ele o viu) em vez de sua detecção real (inconsciente) do estímulo. Isso sugere que as apostas podem servir como meio de medir a consciência.
O segundo experimento envolve uma tarefa de uma gramática artificial, na qual participantes aprendem um pequeno número de seqüências de poucas letras. É dito a eles que as seqüências obedecem a uma única regra (por exemplo: todo “x” é seguido por um “a”). Mas não lhes é dito qual é a regra. Quando vêem uma nova seqüência, os participantes podem com freqüência determinar de maneira correta se esta segue a regra desconhecida. Ainda assim, os voluntários apenas raramente a expressam porque ficam em dúvida se a seqüência obedece ou não a regra. A taxa geral de classificação correta (81%) é bem melhor do que o acaso. Ainda assim os participantes não convertem esse desempenho em dinheiro. Apostas altas são seguidas por uma escolha correta em 45% do tempo e uma opção equivocada em 32% dos casos. Em resumo, os participantes do estudo normalmente estão certos de que a seqüência segue a regra, mas não têm confiança suficiente para apostar nisso.
MÃOS VENCEDORAS
No experimento final, chamado “a tarefa de aposta de Iowa”, são usados quatro baralhos. As pessoas pegam a primeira carta de um deles. Cada lâmina faz com que o voluntário ganhe ou perca certo valor em dinheiro. Sem que os participantes saibam, dois dos quatro montes têm um “rendimento líquido” positivo e dois, negativo. Os jogadores precisam realizar uma aposta na carta escolhida antes que ela seja revelada – e perder ou ganhar de acordo com isso. No teste, os participantes desviravam um grande número de cartas, uma por uma, descobrindo a cada vez se iam ganhar ou perder. Eles quase sempre descobriam quais baralhos eram ganhadores e começavam a puxar cartas na maior parte das vezes – mas normalmente desviravam ao menos 30 cartas nesses baralhos antes de ganhar a confiança para apostar de forma agressiva nos resultados. Isto é, as pessoas só começavam a ganhar dinheiro muito depois do momento em que seu próprio comportamento deveria ter revelado que sabiam quais baralhos eram vencedores.
Para explorar essa hesitação, Persaud e seus colegas usaram uma variação desse experimento na qual interrogavam os participantes a cada décimo teste em relação a tudo que estes sabiam sobre o jogo e os baralhos. Quando os participantes examinavam assim seu conhecimento do jogo, o intervalo entre o início da escolha do baralho positivo e as apostas vantajosas desaparecia, sugerindo que o ato de introspecção altera a percepção dos participantes. Examinar o próprio conhecimento os tornou mais conscientes do que eles sabiam. Essa descoberta indica que apostas feitas com base em conhecimentos a respeito dos quais ainda não se está consciente podem ter melhores resultados, uma demonstração da utilidade da máxima “conhece-te a ti mesmo” da filosofia ocidental.
As técnicas de apostas usadas por Persaud, McLeod e Cowey dependem da capacidade intuitiva de as pessoas fazerem boas escolhas – e, nesse caso específico, obter lucros. Em comparação com a tática de forçar participantes a se tornar cientes de sua própria consciência – e nesse processo perturbar o próprio fenômeno que se deseja medir –, as apostas representam uma forma mais sutil de avaliar a percepção, mostrando-se uma nova maneira mais lúdica – e reveladora – de estudar a percepção e a consciência. Desses passos, aparentemente pequenos, surgem possibilidades para responder à antiga questão: como a consciência surge a partir da experiência?
Artigo da Revista Mente e Cérebro
edição 175 - Agosto 2007
Christof Koch é professor de biologia e engenharia do Instituto de Tecnologia da Califórnia e consultor científico da Scientific American-Mind.
Kerstin Preuschoff é pesquisadora, pós-doutorada em teoria da decisão e neurociências.
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/aposta_na_consciencia.html
domingo, julho 29, 2007
Por que somos supersticiosos?
Quando dizemos para alguém que nossos negócios estão indo bem, imediatamente sentimos uma forte compulsão na direção de buscar algum pedaço de madeira para nela batermos 3 vezes (para muitos, só serve se a madeira for tocada de baixo para cima). O mesmo vale para qualquer declaração de que estamos felizes no novo relacionamento sentimental ou que estamos bem de saúde. Ao agirmos de acordo com este ritual, que aprendemos de nossos ancestrais, temos a impressão que afastamos de nós as perigosas influências malignas da inveja das pessoas (assim como a ira dos deuses). É fato que nossa felicidade pode provocar inveja; o duvidoso é se ela tem mesmo poder de influência negativa sobre nós, bem como se o ritual de proteção será mesmo eficiente. Porém, porque acreditamos nesta possibilidade nos sentimos mais apaziguados ao realizá-lo.
Quando nosso time favorito ganha um jogo decisivo, muitas vezes relacionamos aquele bom resultado com o fato de estarmos usando uma determinada roupa. Muitos de nós tendemos a atribuir àquele vestuário um poder, de modo que ele será uniforme fixo e parte de um ritual que irá se repetir ao longo dos futuros jogos importantes. Se fomos bem sucedidos na paquera usando um determinado perfume, tendemos a nos apegar a ele como se fosse um talismã e o usaremos sempre que estivermos em situação similar pretendendo os mesmos bons resultados. Aliás, os talismãs correspondem a objetos inicialmente neutros, aos quais atribuímos poderes especiais de nos proteger ou de facilitar acontecimentos que nos interessam sobremaneira. Pode ser uma pedra especial, um adorno de estimação (de preferência ganho de presente de alguém que certamente torce por nós), a figura de um santo, uma nota de dinheiro que sempre levamos conosco etc.
As situações descritas acima nos mostram alguns dos aspectos essenciais do pensamento supersticioso: um deles consiste em nos sentirmos inseguros e ameaçados em determinadas situações, especialmente aquelas em que estamos felizes; construímos uma associação entre a prática de certos rituais e a diminuição dos riscos, de modo a nos sentirmos protegidos contra as adversidades. O outro tem a ver com o desejo de interferir sobre eventos que não dependem de nós, mas que queremos muito que tenham um resultado positivo; associamos, por um caminho nada lógico, sua concretização à presença de algum objeto, um adorno promovido à condição de talismã e cuja presença, no processo ritual que construímos em torno dele, aumentaria – e muito – as chances de obtermos o favor desejado.
Pessoas inteligentes, cultas e um tanto céticas também costumam desenvolver algum tipo de ritual. As que são muito voltadas para as práticas religiosas tendem a desenvolver seus rituais dentro deste contexto: as promessas se assemelham muito ao processo que estamos analisando, sendo que aqui se renuncia a algo do qual se gosta muito em favor da facilitação de um resultado que aparece como muito importante (abre-se mão do chocolate por um tempo longo em benefício da saúde de um filho, por exemplo). As novenas, as peregrinações, os jejuns e as orações em geral têm por objetivo agradecer graças recebidas, pedir proteção para o que se tem e também para que o futuro nos sorria.
Afinal de contas, por que tanto empenho? A verdade é que nossa condição enquanto humanos (e conscientes) é bastante complexa, pois estamos expostos à incerteza de forma continuada e lidamos muito mal com isso. Não suportamos o fato de estarmos em uma embarcação sujeita a ventos que não controlamos. Não sabemos nada do que é relevante acerca do nosso futuro e tentamos nos defender disso por todos os meios.
Buscamos defesas contra a incerteza que cerca os relacionamentos afetivos através de estratégias de controle sobre as pessoas que amamos. As mães de adolescentes tentam saber deles o tempo todo e impedir que todos os males lhes alcancem. Homens e mulheres tentam vigiar os passos de seus parceiros, sempre com medo de serem traídos ou abandonados.
Usamos boa parte de nossas possibilidades intelectuais com o objetivo de projetarmos um futuro de acordo com nossos melhores sonhos. Tentamos impedir que as doenças nos alcancem, de modo que nos submetemos a um estilo de vida que nem sempre é aquele que mais gostamos. Consultamos os médicos para exames periódicos com o intuito de detectar doenças precocemente e, com isso, ter o poder de interferir ao máximo sobre sua evolução. Tentamos acumular o máximo de dinheiro, sempre norteados pela idéia de sermos mais parecidos com as cigarras do que com as formigas: para que nada nos venha a faltar.
Ainda assim não nos sentimos seguros. Temos, em nosso íntimo, a sensação de que estes meios concretos são muito insuficientes; considero muito provável que isso seja verdadeiro, já que todos os exames médicos, por exemplo, apenas nos dizem de nossa condição até hoje e das probabilidades de estarmos bem nos próximos tempos. O mesmo vale para o dinheiro, que poderá ser perdido por alguma fatalidade. Do amor então, nem é bom falar...
Os mais céticos podem pensar que é pura insegurança e fraqueza buscar em forças maiores que a nossa reforços a favor de nossos interesses. Não nego que possam ter alguma razão, mas não creio que seja só assim. A grande maioria das pessoas pressente a existência de forças não tão concretas a nos cercar. Buscam também nelas algum apoio tanto com o objetivo de se protegerem contra a inveja e as adversidades em geral como para que seus sonhos se realizem. É por essa via que entra o pensamento supersticioso, presente em quase todos nós. Pode não ser de grande valia, mas ações concretas para garantir um futuro melhor também não o são. Por mais que façamos, a incerteza sempre sairá vencedora.
Flávio Gikovate
médico psicoterapeuta,
pioneiro da terapia sexual no Brasil.
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=6526&onde=2
Quando nosso time favorito ganha um jogo decisivo, muitas vezes relacionamos aquele bom resultado com o fato de estarmos usando uma determinada roupa. Muitos de nós tendemos a atribuir àquele vestuário um poder, de modo que ele será uniforme fixo e parte de um ritual que irá se repetir ao longo dos futuros jogos importantes. Se fomos bem sucedidos na paquera usando um determinado perfume, tendemos a nos apegar a ele como se fosse um talismã e o usaremos sempre que estivermos em situação similar pretendendo os mesmos bons resultados. Aliás, os talismãs correspondem a objetos inicialmente neutros, aos quais atribuímos poderes especiais de nos proteger ou de facilitar acontecimentos que nos interessam sobremaneira. Pode ser uma pedra especial, um adorno de estimação (de preferência ganho de presente de alguém que certamente torce por nós), a figura de um santo, uma nota de dinheiro que sempre levamos conosco etc.
As situações descritas acima nos mostram alguns dos aspectos essenciais do pensamento supersticioso: um deles consiste em nos sentirmos inseguros e ameaçados em determinadas situações, especialmente aquelas em que estamos felizes; construímos uma associação entre a prática de certos rituais e a diminuição dos riscos, de modo a nos sentirmos protegidos contra as adversidades. O outro tem a ver com o desejo de interferir sobre eventos que não dependem de nós, mas que queremos muito que tenham um resultado positivo; associamos, por um caminho nada lógico, sua concretização à presença de algum objeto, um adorno promovido à condição de talismã e cuja presença, no processo ritual que construímos em torno dele, aumentaria – e muito – as chances de obtermos o favor desejado.
Pessoas inteligentes, cultas e um tanto céticas também costumam desenvolver algum tipo de ritual. As que são muito voltadas para as práticas religiosas tendem a desenvolver seus rituais dentro deste contexto: as promessas se assemelham muito ao processo que estamos analisando, sendo que aqui se renuncia a algo do qual se gosta muito em favor da facilitação de um resultado que aparece como muito importante (abre-se mão do chocolate por um tempo longo em benefício da saúde de um filho, por exemplo). As novenas, as peregrinações, os jejuns e as orações em geral têm por objetivo agradecer graças recebidas, pedir proteção para o que se tem e também para que o futuro nos sorria.
Afinal de contas, por que tanto empenho? A verdade é que nossa condição enquanto humanos (e conscientes) é bastante complexa, pois estamos expostos à incerteza de forma continuada e lidamos muito mal com isso. Não suportamos o fato de estarmos em uma embarcação sujeita a ventos que não controlamos. Não sabemos nada do que é relevante acerca do nosso futuro e tentamos nos defender disso por todos os meios.
Buscamos defesas contra a incerteza que cerca os relacionamentos afetivos através de estratégias de controle sobre as pessoas que amamos. As mães de adolescentes tentam saber deles o tempo todo e impedir que todos os males lhes alcancem. Homens e mulheres tentam vigiar os passos de seus parceiros, sempre com medo de serem traídos ou abandonados.
Usamos boa parte de nossas possibilidades intelectuais com o objetivo de projetarmos um futuro de acordo com nossos melhores sonhos. Tentamos impedir que as doenças nos alcancem, de modo que nos submetemos a um estilo de vida que nem sempre é aquele que mais gostamos. Consultamos os médicos para exames periódicos com o intuito de detectar doenças precocemente e, com isso, ter o poder de interferir ao máximo sobre sua evolução. Tentamos acumular o máximo de dinheiro, sempre norteados pela idéia de sermos mais parecidos com as cigarras do que com as formigas: para que nada nos venha a faltar.
Ainda assim não nos sentimos seguros. Temos, em nosso íntimo, a sensação de que estes meios concretos são muito insuficientes; considero muito provável que isso seja verdadeiro, já que todos os exames médicos, por exemplo, apenas nos dizem de nossa condição até hoje e das probabilidades de estarmos bem nos próximos tempos. O mesmo vale para o dinheiro, que poderá ser perdido por alguma fatalidade. Do amor então, nem é bom falar...
Os mais céticos podem pensar que é pura insegurança e fraqueza buscar em forças maiores que a nossa reforços a favor de nossos interesses. Não nego que possam ter alguma razão, mas não creio que seja só assim. A grande maioria das pessoas pressente a existência de forças não tão concretas a nos cercar. Buscam também nelas algum apoio tanto com o objetivo de se protegerem contra a inveja e as adversidades em geral como para que seus sonhos se realizem. É por essa via que entra o pensamento supersticioso, presente em quase todos nós. Pode não ser de grande valia, mas ações concretas para garantir um futuro melhor também não o são. Por mais que façamos, a incerteza sempre sairá vencedora.
Flávio Gikovate
médico psicoterapeuta,
pioneiro da terapia sexual no Brasil.
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=6526&onde=2
quinta-feira, julho 12, 2007
Quero parar o tempo

Quero parar o tempo!
Como quem pára uma ampulheta.
Quero ser dona do meu próprio tempo.
Os minutos me engolem.
Em ciberespaços, em vida paralela.
A matrix é aqui no meu quarto, no meu computador.
Eu pertenço ao Google.
Grupos, mails, comunidades, amigos, vida por um fio.
Por milhoes de fios, fibras, satélites.
Eu nao tenho mais nada.
Mas tenho 3 relógios de pulso, que me acusam.
Um relógio no celular, que me acusa.
Um relógio no computador, que me acusa.
Um relógio na biblioteca, que me acusa.
Desculpa, voce nao tem mais tempo.
A internet sugou, os sites evaporaram a tua existencia.
Eu sou virtual, digital, eterna.
Meu castelo é protegido por milhoes de megabits por segundo.
Eu sou Rapunzel, careca, cercada em uma torre de alta velocidade.
Minhas relaçoes sao digitais.
Meu bate-papo nao é no bar.
Eu vivo de chat, de chatos.
Meu carteiro, meu messenger.
Meu nome é presente, sem futuro, sem passado.
Eu sou agora e nao sou mais.
Por que agora ja passou.
Eu sou passado, aquilo que corre.
Eu fui. Nao sou. Nem serei?
Bit! Bit! Eu brindo o fim da minha existencia real.
(publicado em http://noticiaportugal.blogspot.com em 25out2006)
Maíra Ribeiro
Publicado no Recanto das Letras em 12/07/2007
Código do texto: T561582
segunda-feira, julho 09, 2007
Amizade e Compreensão
Ser amigo e conservar amizade nos faz sentir a verdadeira felcidade de ter alguém em quem podemos confiar.
Saber fazer amigos é uma virtude que nos é dada pela conquista daquilo que pretendemos realizar e que em nossa caminhada encontramos alguém com quem podemos contar como ajuda, incentivo e confiança em nós. É está disponível para servir sem pensar em si, é buscar confiança no outro que nos acompanha, é saber ouvir com paciência e compreensão, é saber perdoar quando somos ofendidos por aquele a quem servimos.
A amizade consiste na Compreensão, na Confiança e na Gratidão.
Seja amigo e desfruto das virtudes da amizade.Seja amigo e compartilhe o que há de melhor em você "O Amor".
BLopes
Publicado no Recanto das Letras em 09/07/2007
Código do texto: T557495
Saber fazer amigos é uma virtude que nos é dada pela conquista daquilo que pretendemos realizar e que em nossa caminhada encontramos alguém com quem podemos contar como ajuda, incentivo e confiança em nós. É está disponível para servir sem pensar em si, é buscar confiança no outro que nos acompanha, é saber ouvir com paciência e compreensão, é saber perdoar quando somos ofendidos por aquele a quem servimos.
A amizade consiste na Compreensão, na Confiança e na Gratidão.
Seja amigo e desfruto das virtudes da amizade.Seja amigo e compartilhe o que há de melhor em você "O Amor".
BLopes
Publicado no Recanto das Letras em 09/07/2007
Código do texto: T557495
sábado, julho 07, 2007
Onde está escrito teu nome
UMA VEZ TENTEI SABER
ONDE ESTAVA O AMOR
EM QUAIS MOMENTOS
ELE NOS FAZ VIVER
ESCREVI MUITO
LI MUITO
MAS NÃO ENCONTREI
ENTÃO PAREI TUDO
LEMBREI DE VOCÊ
DO TEU NOME
MAS NÃO SABIA
ONDE ESTAVA ESCRITO TEU NOME
AGORA QUE ESTOU AQUI
LHE PERGUNTO
ONDE ESTÁ ESCRITO SEU NOME
ONDE SERÁ QUE ESTÁ?
EU SÓ SEI PERGUNTAR
E EM MEIO ÀS PERGUNTAS
ACABEI ACHANDO MEU CORAÇÃO
ONDE TUDO ESTAVA ESCRITO
EU ACHEI O AMOR
VIVO DE AMOR
VIVO AMANDO VOCÊ
MAS ME DIGA
ONDE ESTÁ ESCRITO TEU NOME
Ainsten
Publicado no Recanto das Letras em 06/07/2007
Código do texto: T554520
ONDE ESTAVA O AMOR
EM QUAIS MOMENTOS
ELE NOS FAZ VIVER
ESCREVI MUITO
LI MUITO
MAS NÃO ENCONTREI
ENTÃO PAREI TUDO
LEMBREI DE VOCÊ
DO TEU NOME
MAS NÃO SABIA
ONDE ESTAVA ESCRITO TEU NOME
AGORA QUE ESTOU AQUI
LHE PERGUNTO
ONDE ESTÁ ESCRITO SEU NOME
ONDE SERÁ QUE ESTÁ?
EU SÓ SEI PERGUNTAR
E EM MEIO ÀS PERGUNTAS
ACABEI ACHANDO MEU CORAÇÃO
ONDE TUDO ESTAVA ESCRITO
EU ACHEI O AMOR
VIVO DE AMOR
VIVO AMANDO VOCÊ
MAS ME DIGA
ONDE ESTÁ ESCRITO TEU NOME
Ainsten
Publicado no Recanto das Letras em 06/07/2007
Código do texto: T554520
quinta-feira, julho 05, 2007
Belo disfarce!
"Palavra é disfarce de uma coisa mais grave,
surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça,
infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la:
um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror."
ADÉLIA PRADO,
poetisa brasileira
surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça,
infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la:
um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror."
ADÉLIA PRADO,
poetisa brasileira
quarta-feira, julho 04, 2007
A palavra é uma delas.
"Nós, homens, tornamo-nos grosseiros.
Já nada entendemos de muitas coisas profundas e delicadas.
A palavra é uma delas.
Pensamos que é qualquer coisa de exterior, porque já não sentimos a sua realidade interior.
Pensamos que é qualquer coisa de fugidio, porque já não experimentamos a sua força.
Não pica, não fere, é apenas débil estrutura de som e timbre.
Mas a palavra é um belo corpo para algo espiritual..."
LUIZ JEAN LAUAND,
filósofo brasileiro,
professor de educação da USP
Já nada entendemos de muitas coisas profundas e delicadas.
A palavra é uma delas.
Pensamos que é qualquer coisa de exterior, porque já não sentimos a sua realidade interior.
Pensamos que é qualquer coisa de fugidio, porque já não experimentamos a sua força.
Não pica, não fere, é apenas débil estrutura de som e timbre.
Mas a palavra é um belo corpo para algo espiritual..."
LUIZ JEAN LAUAND,
filósofo brasileiro,
professor de educação da USP
terça-feira, julho 03, 2007
Feliz Aniversário!!!
domingo, maio 13, 2007
Feliz Dia das Mães!!!
Mãe é o sentido da vida,
é a razão de entender como podemos ser fortes,
no momento que todos nos julga impotente.
Mãe é o colo perfeito,
onde as lágrimas de dor
se transformam em consolo e depois de certo tempo
se transformam em aprendizado.
Mãe é o milagre de viver,
é onde tudo começa,
e o amanhecer do viver de cada um.
Mãe,
Uma das primeiras palavras que aprendemos a falar,
e não é uma simples coincidência,
é a necessidade de tê-la sempre ao nosso lado.
Mãe,
não importa a distância,
sempre está ao nosso lado, torcendo, rezando...
Pedindo a Deus a nossa felicidade.
Mãe,
Merece muito mais que um dia,
Merece muito mais que uma vida.
Feliz Dia das Mães!!!
quinta-feira, maio 03, 2007
A mãe de todas as liberdades
DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA
Por Alberto Dines em 3/5/2007
Comentário para o programa radiofônico do OI [Observatório da Imprensa], 3/5/2007
Discutir a liberdade é sempre bom, discutir a liberdade de imprensa é ainda melhor porque ela é a mãe de todas as liberdades. Sem uma imprensa verdadeiramente livre não existe liberdade política, religiosa, moral ou econômica.
Hoje [quinta, 3/5], no Dia Internacional da Liberdade de Imprensa criado pela Unesco, circulam diversos relatórios sobre o estado da mídia no mundo, acompanhados pelos indefectíveis rankings classificatórios.
Ora, a quantificação de valores abstratos não pode produzir conclusões exatas. Veja-se, como exemplo, um ranking que na quarta-feira (2/5) circulou pela internet preparado pela Freedom House, entidade não-governamental sediada em Washington, criada em 1941 para combater o nazismo. Seu ranking de liberdade de imprensa é naturalmente liderado por países como a Finlândia e a Islândia; Portugal aparece surpreendentemente em décimo segundo lugar.
E o Brasil? O Brasil aparece na nonagésima – repito, nonagésima – colocação.
As duas posições são injustas e enganosas: nem Portugal é o paraíso nem o Brasil é o inferno. Nossa imprensa andou muito ameaçada nos dois últimos anos e soube reagir com alguma galhardia; o regime decididamente não merece ficar abaixo de Moçambique e Cabo Verde.
A democracia é um processo em construção. A liberdade, ou existe ou não existe. Se existe, avança sempre.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=431IPB006
Por Alberto Dines em 3/5/2007
Comentário para o programa radiofônico do OI [Observatório da Imprensa], 3/5/2007
Discutir a liberdade é sempre bom, discutir a liberdade de imprensa é ainda melhor porque ela é a mãe de todas as liberdades. Sem uma imprensa verdadeiramente livre não existe liberdade política, religiosa, moral ou econômica.
Hoje [quinta, 3/5], no Dia Internacional da Liberdade de Imprensa criado pela Unesco, circulam diversos relatórios sobre o estado da mídia no mundo, acompanhados pelos indefectíveis rankings classificatórios.
Ora, a quantificação de valores abstratos não pode produzir conclusões exatas. Veja-se, como exemplo, um ranking que na quarta-feira (2/5) circulou pela internet preparado pela Freedom House, entidade não-governamental sediada em Washington, criada em 1941 para combater o nazismo. Seu ranking de liberdade de imprensa é naturalmente liderado por países como a Finlândia e a Islândia; Portugal aparece surpreendentemente em décimo segundo lugar.
E o Brasil? O Brasil aparece na nonagésima – repito, nonagésima – colocação.
As duas posições são injustas e enganosas: nem Portugal é o paraíso nem o Brasil é o inferno. Nossa imprensa andou muito ameaçada nos dois últimos anos e soube reagir com alguma galhardia; o regime decididamente não merece ficar abaixo de Moçambique e Cabo Verde.
A democracia é um processo em construção. A liberdade, ou existe ou não existe. Se existe, avança sempre.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=431IPB006
segunda-feira, abril 30, 2007
Aspectos da Mulher na Realidade Brasileira Atual

Luiz Roberto Nascimento
CRA-SP-57867(Pós Graduado em Finanças)
05, Março/2002
Tradicionalmente o segundo domingo de Maio é comemorado o Dia das Mães; no dia 30 de abril foi comemorado o Dia Nacional da Mulher, mas anteriormente em 08/março foi festejado o Dia Internacional da Mulher.
Recorrendo ao Dicionário de Datas Comemorativas - Ed.UNED, de autoria de André Carvalho, assim se manifesta a cerca das datas:
a) Dia das Mães:... A origem de comemoração do Dia das Mães é a seguinte: uma senhorita norte-americana, Miss Annie Jerwis, de Filadélfia, depois de perder sua mão, mostrava-se inconsolável. Quanto mais tempo decorria, em vez de diminuir, parece que maior ia-se tornando a dor daquele delicado coração de mulher. Algumas amigas de Annie Jerwis, verdadeiramente contristadas com aquele sofrimento, e com o intuito de elevar-lhe o espírito, prontificaram-se a perpetuar a memória da mãe da amiga. Comunicaram, então a ela a intenção de realizar alguma coisa que imortalizasse a lembrança de sua mãe querida. Miss Annie Jerwis, de espírito delicado, sensibilizou-se profundamente com aquela idéia. E pediu, então, que uma homenagem se tributasse, não apenas a sua mãe, mas a todas as mães, vivas e mortas. Realizada a festa, foi ela repetindo e generalizando por outras localidades, como tudo o que agrada ao povo. E, anualmente, em toda a nação norte-americana, grandes homenagens se prestavam às mães. O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, indo de encontro aos desejos do povo, tornou oficial aquela comemoração, instituindo, por decreto, o Dia das Mães, em 09 de maio de 1914....E o Sr. Getúlio Vargas, quando ainda Chefe do Governo Provisório, pelo decreto nº21.366, de 05 de maio de 1932, tornou a festa também oficial no Brasil, instituindo o Dia das Mães, a ser celebrado no segundo domingo de maio...".
b) Dia Nacional da Mulher : Foi a 30 de abril que nasceu a fundadora do Conselho Nacional da Mulheres, Sra. Jerônima Mesquita. Como homenagem àquela extraordinária mulher, grande filantropa, foi escolhido o dia de seu nascimento, 30 de abril para o Dia Nacional da Mulher."
c) Dia Internacional da Mulher : A data foi escolhida pela UNESCO, com o fim de assinalar a primeira manifestação de mulheres organizada em torno de reivindicações especificamente femininas. Em 08 de março de 1857, 129 operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque paralisaram o trabalho reivindicando salário igual para função igual, exercida por homem. Os patrões trancaram e incendiaram a fábrica, e morreram queimadas as 129 operárias."
Já estudei este tema em 1985, gostaria de destacar algumas expressões que ouvi: Quais foram as mudanças observadas nos últimos tempos, que impulsionaram o movimento de reconhecimento de igualdade dos sexos? O que há de mal na mulher rural ser parideira e integrante da força de trabalho, será que ela se sente infeliz com esta condição? Ora, para responder estas duas questões, entre outras de pessoas que são incapazes de reconhecer que as mulheres são tão humanas quanto os homens.
Se quisermos extrapolar os limites de nosso país, exemplificaremos os EUA: em 1976 a Dra.. Shere Hite apresentou seu relatório que conclui "o sexo é uma instituição que consagra a opressão da mulher"; em 1983 a física Sally Ride torna-se primeira astronauta; em 1984 pela primeira vez uma mulher, Geraldine Ferraro, concorre à vice-presidência da República. Temos então alguns exemplos brasileiros: em 1975 a Dra. Eny Carbonari se tornava a primeira diretora de presídio do Rio de Janeiro e do país; no início dos anos '80 a antropóloga Maria Dulce Gaspar passou por 60 boates para compor sua tese, que passou para o livro "Garotas de Programa"; em 1985 a sexóloga Marta Suplicy publicou "De Mariazinha a Maria"; em 22 de julho de 1985, no Fórum Lafaiete/B.Horizonte, tomou posse a Juíza Auditora Militar da Justiça Militar de Minas Gerais, a Dra. Sônia Diniz Viana.
Mais recentemente podemos citar o estudo da CIDH - Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão vinculado à OEA, apresentando o Informe sobre a Condição da Mulher nas Américas, conforme divulgado em O ESTADO DE SÃO PAULO-25/abr/98-pag. A-15. No caso da mulher rural é praticamente impossível saber seu grau de felicidade e realização pessoal, pois a ela não foi dada outra opção a não ser gerar filhos e compartilhar com o homem os encargos do plantio e colheita.
Mas devemos continuar pensando no sopé da pirâmide social, ou seja como estão se sentindo as garis, as faveladas, as bóia-frias, as prostitutas das zonas de baixo meretrício e das jovens meretrizes que são encaminhadas, pela fome e até mesmo pelos pais, para complementar a renda familiar, colocando à venda seus corpos nas cidades e nas estradas do interior do país.
Uma solução plausível para esta situação de degradação humana seria dar-lhes instrução, educação e cultura. Este é um processo longo, difícil e complexo, pois somente dando estrutura cultural é que será possível dar condições de propiciar alternativas de conscientização das potencialidades e verdadeira razão de ser da mulher enquanto ser humano.
Isto quer dizer que desta forma ela será capaz de decidir como e quando deverá entregar-se de corpo, mente, espírito e alma a um ou vários homens, quantos filhos quer ter, qual sua tendência profissional e assim por diante. Outra alteração psicossocial extremamente necessária é a mudança da estrutura social machista que nos vem sendo imposta ao longo dos tempos, do tipo: homem não deve chorar, cozinha é lugar de mulher, futebol não é esporte feminino, mulher não deve subir em árvores, entre outros padrões machistas. Foi com espanto que ouvi de uma pessoa que "talvez meu lado feminino não estivesse se sobressaindo", devido ao afinco com que tenho me dedicando ao assunto, ao comentar que minha maneira de pensar havia modificado nos últimos anos, pois até então mulher nada mais era que um fenômeno biológico e natural representado pela minha mãe, esposa e filha, além do aspecto da estética das minhas colegas de trabalho.
É muito simples constatar que não seria muita coisa hoje se não fossem estas mulheres, principalmente o espírito crítico e a facilidade de percepção transmitidos por minha mãe (destaque-se que depois dos 50 anos desvencilhou-se das amarras da vida doméstica preenchida pelo tricô e foi à luta, sendo admitida por concurso no TRT-SP como Agente de Portaria, com muita garra concluiu o supletivo, fez o Curso Superior de Geografia e por concurso interno já é Auxiliar Judiciária). Outra mulher marcante em minha vida, tem sido minha esposa que além do apoio moral, compartilha vibrantemente em cada vitória e me levanta e me prepara para a próxima batalha, após cada derrota.
A alteração da estrutura social esperada, pelas mulheres, não deve ser imposta num estilo "Guerra dos Sexos", mas sim através da necessária manutenção da postura feminina deixando de lado o estilo feminista e agressivo, desta forma as mulheres deverão/poderão vir a se transformar nos agentes de mudança com sua natural feminilidade e não impositora de posições extremistas.
A crescente participação da mulher na força de trabalho é expressiva. Tendo em vista atual explosão demográfica, uma vez que a taxa de crescimento já atinge cifra em torno de 3% a.a., pode ser sugerida uma mescla de maternidade responsável com um controle de natalidade para que seja interrompido o ciclo de pobreza, subnutrição, risco de vida para a mãe e o bebê, delinqüência juvenil e todos os problemas de carência sócio econômica que imperam atualmente nas favelas, periferia e no meio rural.
A respeito da violência sexual, acredito que será reduzida na medida em que haja conscientização feminina de diminuir o sentido "mulher vende tudo", até seu próprio corpo. No entanto deveremos exercer não uma censura prévia contra novela, filmes de televisão e de cinema de uma forma puritana, mas sim uma que se respeite as diferenças regionais e que dê liberdade de escolha às famílias tradicionais de todo o território nacional.
Para encerrar gostaria de deixar à reflexão dos seres humanos interessados num novo gênero de princípio de relações humanas, as palavras do grande pensador argentino Carlos Bernardo Gonzalez Pecotche, que em sua novela psicodinâmica O Senhor de Sandara, em castellano à página 307 temos:
"...Tanto o homem como a mulher haviam sido dotados do poder de pensar, de sentir, de amar, de criar e procriar, com o qual essa finalidade se irá cumprindo cronologicamente. Mas ainda descobriu algo mais, e era o papel principalíssimo que a mulher haveria de desempenhar na vida do homem, já que na natureza feminina está contida grande parte dos mistérios que o homem deverá descobrir para lograr sua ascensão ao domínio da sabedoria"
Mais adiante, à página 427, encontramos: "Escravas da vaidade, do orgulho e de outras não menos perniciosas debilidades que influem sobre a instabilidade humana, se entregam sem recato nos braços do capricho quando a vida lhes sorri" .
Já em Revista Logosofia - Março/1941, reproduzido na coleção da revista Logosofia, Tomo III, página 2 assim se pronunciou:
"...A mulher deve ser fina em seus modos e em sua linguagem. Todo gesto, expressão ou atitude que atente contra sua feminilidade, a enfeia e chega até convertê-la em um ser que inspira desprezo. Para adquirir as belas qualidades que tanto adornam seu caráter, é necessário que a mulher se disponha a ele com especial dedicação. Aprendendo a conhecer de que modo os pensamentos atuam e influenciam a vida, buscará a companhia daqueles que elevem seu espírito e contribuam, por um lado a dar brilho a sua figura de mulher superior no meio ambiente em que atue, e por outro, a que sua alma desfrute das inumeráveis prerrogativas que abre o conhecimento às possibilidades de viver uma vida mais ampla e mais cheia de atrações que a vulgar, por conter uma variedade tão incontável de motivos que não só despertam ao ser interno em um novo mundo, senão que o extasiam ante a grandeza dessa parte da criação que permanece ignorada para os que não sabem que existe nem se aprestam a obter os meios para conhecê-la. O cultivo mental deve constituir, pois, para a mulher, uma necessidade intensa como a que sente para embelezar sua pessoa... E quem senão os próprios filhos haverão de recordar com gratidão essa graça, pouco menos que sublime, que uma mãe inteligente e culta derrama sobre a alma dos mesmos? Que prêmio maior pode haver para seus sacrifícios que aquele que em seu nome, símbolo de exemplo, seja bendito e venerado por todos?
Mulheres assim como as que forjam o ideal das gerações."
Luiz Roberto Nascimento
CRA-SP-57867(Pós Graduado em Finanças)
http://www.dominiofeminino.com.br/eles/oito_de_marco.htm

Dia Nacional da Mulher
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Hoje, dia 30 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Mulher. Como as luzes fortes dos holofotes iluminaram o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o dia 30 de abril fica às escuras.
A mídia e o comércio comandam a importação de datas comemorativas, da moda, do nosso procedimento, da cultura, da linguagem e até do folclore, haja vista a repercussão do Dia das Bruxas. Nada de xenofobia nesta colocação, mas, se há tantos valores aqui, por que buscá-los em outras plagas? Penso que o Dia Nacional da Mulher deveria ser mais divulgado e, este sim, muito festejado.
O Dia Nacional da Mulher é comemorado aos 30 de abril, data de nascimento de uma grande brasileira: Jerônima Mesquita, um nome desconhecido para muitos. E quem foi Jerônima Mesquita? Foi uma das ilustres brasileiras que viveram no início do século 20. Nascida em Leopoldina (MG), aos 30/4/1880 foi, ainda moça, concluir seus estudos na Europa. Retornando, após observar outro tipo de vida, não se conformou com a situação preconceituosa imposta às mulheres de sua terra natal.
Dotada de inteligência, perspicácia e muito diligente, Jerônima se uniu a um grupo de mulheres combativas e fundou o Conselho Nacional das Mulheres. Se hoje as mulheres têm direito a voto, devem-no a ela, que foi sufragista e lutou para que, em 1932, todas as mulheres, acima de 18 anos, pudessem votar.
Engajou-se em frentes de assistência social, sendo uma das fundadoras da Pró-Matre, hospital beneficente que tinha por objetivo acolher gestantes pobres. A matriz foi no Rio de Janeiro, mas hoje, há hospitais com esse nome em muitas cidades brasileiras; fundou, também, a Associação Cruz Verde. Todos sabem que no início do século 20 grassava, no Brasil, a fome, a febre amarela, a peste bubônica, a varíola, doenças agravadas pela subnutrição do povo. Foi nessa época que Jerônima Mesquita mais atuou.
Numa das poucas entrevistas que deu antes de falecer, o que ocorreu em 1972, disse que ficara feliz com a promulgação da Lei 4121/62, conhecida como Estatuto da Mulher Casada que, entre outras mudanças, concedeu às mulheres o direito de trabalhar fora do lar sem autorização do marido ou do pai. Hoje, com o Código Civil Brasileiro modificado, a situação da mulher está diferente e sua condição jurídica menos discriminatória. Ela também gostaria de ter visto isso.
Penso que, pelo exposto, deveríamos dar mais atenção e divulgação ao Dia Nacional da Mulher, que foi sancionado pelo último presidente militar João Batista Figueiredo, pela Lei 6.791/80. A intenção deste artigo é tornar o Dia Nacional da Mulher e o nome de Jerônima Mesquita mais conhecidos. Valerá a pena investir nisso.
Algumas ações pioneiras já estão aparecendo, como o 1º concurso em homenagem ao Dia Nacional da Mulher que foi promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, presidido pela Dra. Aparecida Rodrigues Mazzola e que teve a participação de 152 poesias, a maioria escrita por homens. A entrega dos prêmios será no próximo dia 4 de maio, em solenidade especial que acontecerá na Sala Glória Rocha, às 19h30. E outras comemorações virão! Nós, brasileiras merecemos!
Hoje, dia 30 de abril, é o Dia Nacional da Mulher, vamos comemorar!
JULIA FERNANDES HEIMANN é presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, membro da Academia Jundiaiense de Letras e do Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro.
http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=17&Int_ID=18130
domingo, abril 01, 2007
FOTOJORNALISMO
Tecnologia e hipocrisia digital
José Colucci Jr.(*)
A capa do Los Angeles Times de segunda-feira (31/3/2003) mostra um soldado britânico em meio a uma multidão de iraquianos durante a tomada de Zubayr. Com o dedo no gatilho, uma das mãos segura o rifle de assalto SA80 enquanto a outra faz sinal para que o iraquiano que traz no colo uma criança abaixe para proteger-se da artilharia inimiga. Diz a manchete: "Em Basra, pânico como tática de guerra". O autor é o premiado e experiente Brian Walski, fotógrafo do LA Times desde 1998. A foto custou-lhe o emprego. Dois dias depois de sua publicação, uma nota do editor explicava aos leitores que Brian Walski fora demitido por violar a política do jornal de "não alterar o conteúdo de fotos jornalísticas".
A foto de Walski não é a mais dramática das que a invasão do Iraque originou, mas bem poderia entrar na lista das mais controversas. Alguém notou que alguns civis iraquianos aparecem mais de uma vez. Como a clonagem humana não está na lista dos muitos horrores que se atribuem a Saddam Hussein, o jornal resolveu investigar. Walski, ainda no Iraque, declarou por telefone que tinha usado o computador para combinar elementos de duas fotos, tiradas em momentos diferentes e, assim, melhorar a composição. Na nota de demissão o LA Times republicou a foto manipulada digitalmente ao lado das originais.
A condenação de Brian Walski pela imprensa mundial foi unânime e sua pena aceita como justa. Quase todos os grandes jornais americanos e brasileiros têm regras para evitar a alteração do conteúdo de fotografias por fotógrafos e editores. Nos EUA, a Associação Nacional dos Repórteres Fotográficos (NPPA) estabeleceu que "alterar o conteúdo editorial de uma foto é quebra dos padrões éticos reconhecidos pela NPPA". A Associated Press adota normas similares. Em listas de discussão, profissionais de imprensa, com raras exceções, proclamaram que Brian Walski é um pária, um homem que aviltou os ideais da profissão. A demissão de Walski foi legítima. Caso encerrado.
Será que é tão simples?
Foto não é documento
Espanta que profissionais de imprensa ainda paguem tributo à ultrapassada noção de que a fotografia é documental e imparcial, e jamais deveria ser conspurcada pela manipulação digital. A fotografia nunca foi imparcial e a manipulação sempre existiu, embora não fosse tão eficiente.
O poder documental que se atribui à fotografia advém da percepção de que a imagem fotográfica é uma espécie de impressão digital (aqui relativa aos dedos, não a dígitos, embora a raiz latina seja a mesma) do objeto fotografado. O filósofo Charles Sanders Peirce classificou a fotografia como índice, isto é, um signo que é como um traço deixado por seu objeto, a exemplo da pegada que um pé descalço deixa na areia molhada.
A crença na força documental da fotografia diminuiu através dos tempos, sem jamais desaparecer. O público que se acanhava ao fitar os olhos das diminutas figuras dos daguerreótipos, de tão reais estas lhe pareciam, já não se iludia com as extraordinárias manipulações de laboratório do começo do século. Em 1901, o genial Valério Vieira celebrizou-se com "Os Trinta Valérios", em que o rosto do fotógrafo repete-se na audiência, nos músicos, no maître, no garçom, nos retratos pendurados na parede e no busto que enfeita um móvel. Esse marco da fotomontagem no Brasil evidencia as possibilidades da montagem e faz o público suspeitar da realidade fixada pela prata no papel. Mais tarde, os fotógrafos de Stalin levaram ao grau máximo a arte da manipulação da imagem fotográfica para fins políticos.
Mas o fato é que a manipulação começa muito antes do processamento. A ideologia do fotógrafo transparece na seleção do assunto e passa pela escolha de lentes, abertura, enquadramento e exposição. O fotógrafo do jornal de oposição pode optar por fotografar o comício de perto, com uma grande angular de 20 mm, e fazer a praça parecer vazia; o fotógrafo do jornal da situação pode usar uma telefoto de 300 mm e, pela escolha do ângulo, comprimir a perspectiva para cercar o candidato de um mar de cabeças humanas. Qual das fotos retrata melhor a realidade? Por que a pós-manipulação é pior do que a pré-manipulação? Ou os fotojornalistas deveriam usar apenas a lente de 50 mm e filme preto e branco, como fazia Henri Cartier-Bresson?
A manipulação também pode ser feita pelo editor de fotografia, através da escolha das fotos, dos cortes e pela justaposição de imagens que, isoladamente, contariam uma história diferente. Nas redações de hoje, com grande perda para o leitor, o editor de fotografia freqüentemente cede lugar aos diagramadores e editores de texto.
Muitas vezes a manipulação da imagem é feita pelo fotografado. Quem não se lembra de Maluf agradecendo com as mãos para o céu e um sorriso no rosto as vaias que ouvia da multidão. Nas fotos e na TV parecia que estava sendo aplaudido.
O enquadramento é uma das formas mais dramáticas de manipulação da informação. Quem duvidar que compare duas imagens recentes da invasão do Iraque, uma no website da CNN, outra no da al-Jazira. A al-Jazira optou pelo impacto: o close-up extremo de um rosto de criança com sangue a escorrer do olho ferido. No website da CNN a mesma situação – reconhecemos o rosto e o ferimento – é apresentada pela imagem de um menino cercado de marines que lhe prestam os primeiros socorros. São duas posições ideológicas distintas. Qual delas representa a realidade? Seria talvez uma terceira foto, uma que mostre as demais vítimas dos bombardeios, numa profusão de sangue, nervos, ossos e vísceras? Ou seria um enquadramento ainda mais amplo, que mostre também os dirigentes de empresas americanas negociando o loteamento do Iraque pós-guerra enquanto França e Rússia choram as oportunidades perdidas?
Toda a foto é um recorte de uma realidade mais complexa, uma representação bidimensional de um mundo de três dimensões. Nesse ponto a fotografia não é diferente de um texto jornalístico. Pode-se mentir com ambos.
Manipulações e manipulações
As famosas fotos de Eugene Smith, da revista Life, sobre a contaminação por mercúrio da baía de Minamata, no Japão, foram manipuladas à exaustão. Em artigo para uma revista especializada o fotógrafo explicou como produziu o efeito dramático de luz e sombra na bela foto da mãe que banha o filho defeituoso. As áreas escuras foram ressaltadas pela exposição seletiva no ampliador e as altas luzes destacadas pelo retoque manual com ferricianeto de potássio. As imagens de Eugene Smith chamaram a atenção do mundo para o problema da contaminação ambiental e das autoridades japonesas para o drama das populações afetadas. Sua função documental e social cumpriu-se plenamente apesar da manipulação, ou mesmo por causa desta.
Caso diferente foi a capa da revista Times de junho de 1994, que mostra uma foto de O. J. Simpson manipulada digitalmente para tornar a sua pele mais escura e, portanto, na visão de muitos americanos, sua aparência mais sinistra. Como era época de seu julgamento por homicídio, a Times foi acusada de propagar o racismo e influenciar indevidamente o processo legal. O editor da revista retratou-se de sua posição inicial de que a foto fora retocada para "converter-se num ícone da tragédia" e desculpou-se em público pela manipulação.
Qual a diferença entre as duas fotos, a de Eugene Smith e a da capa da Times? Ambas foram manipuladas, mas com intenções diversas e, principalmente, interpretações diversas pelo público. Novamente a comparação com o texto jornalístico é inevitável. Há textos honestos e textos desonestos, mas a distinção pouco tem a ver com o número de adjetivos e tropos semânticos que o autor emprega.
Foto-hipocrisia
Os veículos de imprensa têm que contrapor a necessidade de estabelecer limites para a manipulação de imagens, sob pena de comprometer a sua credibilidade, com o fato sobejamente conhecido de que foto boa vende. O resultado, não poucas vezes, é a hipocrisia.
A fotografia já foi acusada de ameaçar pintores, ilustradores e redatores. Acusam-na agora de ameaçar a credibilidade do jornalismo. Qual é o nível de manipulação a ser tolerado numa foto jornalística? Ajustar o contraste e o brilho de uma cena? Desfocar elementos visuais que distraiam o leitor? Dar uma esticadinha no fundo para encaixar o logotipo da revista? Remover uma ruga do canto da boca da atriz de telenovela? Eliminar os fios elétricos que atrapalham a composição? Eliminar de uma foto esportiva o logotipo de um produto que não pagou merchandising? Juntar numa mesma foto personagens que nunca estariam juntas por vontade própria? Que jogue a primeira pedra o fotógrafo que nunca usou nenhum desses recursos. Ou vale a teoria de que manipulação é aceitável desde que o fotógrafo não seja pego com o dedo no mouse?
João Bittar, editor de fotografia da Folha de S. Paulo, disse numa entrevista que o jornal não admite "qualquer manipulação que altere o sentido que o profissional quis dar a uma foto". Se o Los Angeles Times adotasse o mesmo critério Brian Walski não deveria ter sido demitido.
O sentido que Brian Walski queria dar à foto foi o que ele realmente deu. Pode-se parar por aqui. Pode-se também argumentar que a manipulação fotográfica produzida por Walski, ao juntar dois momentos distintos numa mesma imagem, não alterou o sentido da informação que procurava transmitir. Qualquer fotógrafo pode atestar que a perspectiva conseguida pela ampliação da figura do homem com a criança no colo é similar à que teria sido produzida naturalmente por uma teleobjetiva se o fotógrafo estivesse mais distante. É concebível dizer que a foto alterada por Walski corresponde à cena que um jornalista presente descreveria em palavras sem ser acusado de mentir. Por que Walski foi demitido? Por manipular digitalmente uma foto ou por dominar mal o PhotoShop? Fotos digitais não têm original. Será que alguém suspeitaria que a foto foi manipulada se ele tivesse sido mais cuidadoso?
Outras fotos de guerra famosas vêm à mente: o momento exato da morte de um soldado durante a Guerra Civil Espanhola, por Robert Capa, e o hasteamento da bandeira americana em Iwo Jima, por Joe Rosenthal. Esta última originou selos, um monumento e imensa memorabilia patriótica. Sob ambas pesa a suspeita de terem sido forjadas, o que não impede que estejam entre as fotos históricas mais celebradas e reproduzidas de todos os tempos.
O instante – essa entidade fugaz e breve – é o deus dos fotojornalistas. Para os puristas da profissão qualquer alteração feita após o momento em que o diafragma se fecha é uma mentira. E uma mentira, seja ela grande ou pequena, continua sendo uma mentira. A tecnologia digital, no entanto, tem o poder de reescrever a história e tornar a mentira à prova de detecção. A milésima cópia manipulada pode ser indistinguível do arquivo original.
É possível que na era da tecnologia digital o único meio de nos aproximarmos da verdade seja através do confronto de informações de fontes variadas, o que ressalta a importância de uma imprensa livre e multifacetada.
A verdade, versão digital
Não pretendi com este texto cheio de perguntas apresentar respostas para um problema tão complexo quanto o da manipulação de imagens jornalísticas. Quis apenas chamar a atenção para o quão ultrapassados – e, de certa forma, hipócritas – são os limites estabelecidos e aceitos para a manipulação de fotos na imprensa.
Se as técnicas digitais multiplicaram as possibilidades de manipulação de imagens e não há originais de fotos digitais, outras maneiras de pensar a questão da autenticidade têm que surgir. Uma sugestão é encontrar um meio de identificar alterações de conteúdo através de um código inteligível aos leitores. Fotos manipuladas e claramente identificadas como tal serão julgadas com base na intenção do autor. Como não há meio de assegurar que uma determinada foto digital não foi manipulada, o leitor só pode contar com a reputação de seu autor e do veículo que a publica para decidir. Exatamente como faz com qualquer texto jornalístico.
(*) Engenheiro em Boston (EUA); e-mail
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/fd090420032.htm
José Colucci Jr.(*)
A capa do Los Angeles Times de segunda-feira (31/3/2003) mostra um soldado britânico em meio a uma multidão de iraquianos durante a tomada de Zubayr. Com o dedo no gatilho, uma das mãos segura o rifle de assalto SA80 enquanto a outra faz sinal para que o iraquiano que traz no colo uma criança abaixe para proteger-se da artilharia inimiga. Diz a manchete: "Em Basra, pânico como tática de guerra". O autor é o premiado e experiente Brian Walski, fotógrafo do LA Times desde 1998. A foto custou-lhe o emprego. Dois dias depois de sua publicação, uma nota do editor explicava aos leitores que Brian Walski fora demitido por violar a política do jornal de "não alterar o conteúdo de fotos jornalísticas".
A foto de Walski não é a mais dramática das que a invasão do Iraque originou, mas bem poderia entrar na lista das mais controversas. Alguém notou que alguns civis iraquianos aparecem mais de uma vez. Como a clonagem humana não está na lista dos muitos horrores que se atribuem a Saddam Hussein, o jornal resolveu investigar. Walski, ainda no Iraque, declarou por telefone que tinha usado o computador para combinar elementos de duas fotos, tiradas em momentos diferentes e, assim, melhorar a composição. Na nota de demissão o LA Times republicou a foto manipulada digitalmente ao lado das originais.
A condenação de Brian Walski pela imprensa mundial foi unânime e sua pena aceita como justa. Quase todos os grandes jornais americanos e brasileiros têm regras para evitar a alteração do conteúdo de fotografias por fotógrafos e editores. Nos EUA, a Associação Nacional dos Repórteres Fotográficos (NPPA) estabeleceu que "alterar o conteúdo editorial de uma foto é quebra dos padrões éticos reconhecidos pela NPPA". A Associated Press adota normas similares. Em listas de discussão, profissionais de imprensa, com raras exceções, proclamaram que Brian Walski é um pária, um homem que aviltou os ideais da profissão. A demissão de Walski foi legítima. Caso encerrado.
Será que é tão simples?
Foto não é documento
Espanta que profissionais de imprensa ainda paguem tributo à ultrapassada noção de que a fotografia é documental e imparcial, e jamais deveria ser conspurcada pela manipulação digital. A fotografia nunca foi imparcial e a manipulação sempre existiu, embora não fosse tão eficiente.
O poder documental que se atribui à fotografia advém da percepção de que a imagem fotográfica é uma espécie de impressão digital (aqui relativa aos dedos, não a dígitos, embora a raiz latina seja a mesma) do objeto fotografado. O filósofo Charles Sanders Peirce classificou a fotografia como índice, isto é, um signo que é como um traço deixado por seu objeto, a exemplo da pegada que um pé descalço deixa na areia molhada.
A crença na força documental da fotografia diminuiu através dos tempos, sem jamais desaparecer. O público que se acanhava ao fitar os olhos das diminutas figuras dos daguerreótipos, de tão reais estas lhe pareciam, já não se iludia com as extraordinárias manipulações de laboratório do começo do século. Em 1901, o genial Valério Vieira celebrizou-se com "Os Trinta Valérios", em que o rosto do fotógrafo repete-se na audiência, nos músicos, no maître, no garçom, nos retratos pendurados na parede e no busto que enfeita um móvel. Esse marco da fotomontagem no Brasil evidencia as possibilidades da montagem e faz o público suspeitar da realidade fixada pela prata no papel. Mais tarde, os fotógrafos de Stalin levaram ao grau máximo a arte da manipulação da imagem fotográfica para fins políticos.
Mas o fato é que a manipulação começa muito antes do processamento. A ideologia do fotógrafo transparece na seleção do assunto e passa pela escolha de lentes, abertura, enquadramento e exposição. O fotógrafo do jornal de oposição pode optar por fotografar o comício de perto, com uma grande angular de 20 mm, e fazer a praça parecer vazia; o fotógrafo do jornal da situação pode usar uma telefoto de 300 mm e, pela escolha do ângulo, comprimir a perspectiva para cercar o candidato de um mar de cabeças humanas. Qual das fotos retrata melhor a realidade? Por que a pós-manipulação é pior do que a pré-manipulação? Ou os fotojornalistas deveriam usar apenas a lente de 50 mm e filme preto e branco, como fazia Henri Cartier-Bresson?
A manipulação também pode ser feita pelo editor de fotografia, através da escolha das fotos, dos cortes e pela justaposição de imagens que, isoladamente, contariam uma história diferente. Nas redações de hoje, com grande perda para o leitor, o editor de fotografia freqüentemente cede lugar aos diagramadores e editores de texto.
Muitas vezes a manipulação da imagem é feita pelo fotografado. Quem não se lembra de Maluf agradecendo com as mãos para o céu e um sorriso no rosto as vaias que ouvia da multidão. Nas fotos e na TV parecia que estava sendo aplaudido.
O enquadramento é uma das formas mais dramáticas de manipulação da informação. Quem duvidar que compare duas imagens recentes da invasão do Iraque, uma no website da CNN, outra no da al-Jazira. A al-Jazira optou pelo impacto: o close-up extremo de um rosto de criança com sangue a escorrer do olho ferido. No website da CNN a mesma situação – reconhecemos o rosto e o ferimento – é apresentada pela imagem de um menino cercado de marines que lhe prestam os primeiros socorros. São duas posições ideológicas distintas. Qual delas representa a realidade? Seria talvez uma terceira foto, uma que mostre as demais vítimas dos bombardeios, numa profusão de sangue, nervos, ossos e vísceras? Ou seria um enquadramento ainda mais amplo, que mostre também os dirigentes de empresas americanas negociando o loteamento do Iraque pós-guerra enquanto França e Rússia choram as oportunidades perdidas?
Toda a foto é um recorte de uma realidade mais complexa, uma representação bidimensional de um mundo de três dimensões. Nesse ponto a fotografia não é diferente de um texto jornalístico. Pode-se mentir com ambos.
Manipulações e manipulações
As famosas fotos de Eugene Smith, da revista Life, sobre a contaminação por mercúrio da baía de Minamata, no Japão, foram manipuladas à exaustão. Em artigo para uma revista especializada o fotógrafo explicou como produziu o efeito dramático de luz e sombra na bela foto da mãe que banha o filho defeituoso. As áreas escuras foram ressaltadas pela exposição seletiva no ampliador e as altas luzes destacadas pelo retoque manual com ferricianeto de potássio. As imagens de Eugene Smith chamaram a atenção do mundo para o problema da contaminação ambiental e das autoridades japonesas para o drama das populações afetadas. Sua função documental e social cumpriu-se plenamente apesar da manipulação, ou mesmo por causa desta.
Caso diferente foi a capa da revista Times de junho de 1994, que mostra uma foto de O. J. Simpson manipulada digitalmente para tornar a sua pele mais escura e, portanto, na visão de muitos americanos, sua aparência mais sinistra. Como era época de seu julgamento por homicídio, a Times foi acusada de propagar o racismo e influenciar indevidamente o processo legal. O editor da revista retratou-se de sua posição inicial de que a foto fora retocada para "converter-se num ícone da tragédia" e desculpou-se em público pela manipulação.
Qual a diferença entre as duas fotos, a de Eugene Smith e a da capa da Times? Ambas foram manipuladas, mas com intenções diversas e, principalmente, interpretações diversas pelo público. Novamente a comparação com o texto jornalístico é inevitável. Há textos honestos e textos desonestos, mas a distinção pouco tem a ver com o número de adjetivos e tropos semânticos que o autor emprega.
Foto-hipocrisia
Os veículos de imprensa têm que contrapor a necessidade de estabelecer limites para a manipulação de imagens, sob pena de comprometer a sua credibilidade, com o fato sobejamente conhecido de que foto boa vende. O resultado, não poucas vezes, é a hipocrisia.
A fotografia já foi acusada de ameaçar pintores, ilustradores e redatores. Acusam-na agora de ameaçar a credibilidade do jornalismo. Qual é o nível de manipulação a ser tolerado numa foto jornalística? Ajustar o contraste e o brilho de uma cena? Desfocar elementos visuais que distraiam o leitor? Dar uma esticadinha no fundo para encaixar o logotipo da revista? Remover uma ruga do canto da boca da atriz de telenovela? Eliminar os fios elétricos que atrapalham a composição? Eliminar de uma foto esportiva o logotipo de um produto que não pagou merchandising? Juntar numa mesma foto personagens que nunca estariam juntas por vontade própria? Que jogue a primeira pedra o fotógrafo que nunca usou nenhum desses recursos. Ou vale a teoria de que manipulação é aceitável desde que o fotógrafo não seja pego com o dedo no mouse?
João Bittar, editor de fotografia da Folha de S. Paulo, disse numa entrevista que o jornal não admite "qualquer manipulação que altere o sentido que o profissional quis dar a uma foto". Se o Los Angeles Times adotasse o mesmo critério Brian Walski não deveria ter sido demitido.
O sentido que Brian Walski queria dar à foto foi o que ele realmente deu. Pode-se parar por aqui. Pode-se também argumentar que a manipulação fotográfica produzida por Walski, ao juntar dois momentos distintos numa mesma imagem, não alterou o sentido da informação que procurava transmitir. Qualquer fotógrafo pode atestar que a perspectiva conseguida pela ampliação da figura do homem com a criança no colo é similar à que teria sido produzida naturalmente por uma teleobjetiva se o fotógrafo estivesse mais distante. É concebível dizer que a foto alterada por Walski corresponde à cena que um jornalista presente descreveria em palavras sem ser acusado de mentir. Por que Walski foi demitido? Por manipular digitalmente uma foto ou por dominar mal o PhotoShop? Fotos digitais não têm original. Será que alguém suspeitaria que a foto foi manipulada se ele tivesse sido mais cuidadoso?
Outras fotos de guerra famosas vêm à mente: o momento exato da morte de um soldado durante a Guerra Civil Espanhola, por Robert Capa, e o hasteamento da bandeira americana em Iwo Jima, por Joe Rosenthal. Esta última originou selos, um monumento e imensa memorabilia patriótica. Sob ambas pesa a suspeita de terem sido forjadas, o que não impede que estejam entre as fotos históricas mais celebradas e reproduzidas de todos os tempos.
O instante – essa entidade fugaz e breve – é o deus dos fotojornalistas. Para os puristas da profissão qualquer alteração feita após o momento em que o diafragma se fecha é uma mentira. E uma mentira, seja ela grande ou pequena, continua sendo uma mentira. A tecnologia digital, no entanto, tem o poder de reescrever a história e tornar a mentira à prova de detecção. A milésima cópia manipulada pode ser indistinguível do arquivo original.
É possível que na era da tecnologia digital o único meio de nos aproximarmos da verdade seja através do confronto de informações de fontes variadas, o que ressalta a importância de uma imprensa livre e multifacetada.
A verdade, versão digital
Não pretendi com este texto cheio de perguntas apresentar respostas para um problema tão complexo quanto o da manipulação de imagens jornalísticas. Quis apenas chamar a atenção para o quão ultrapassados – e, de certa forma, hipócritas – são os limites estabelecidos e aceitos para a manipulação de fotos na imprensa.
Se as técnicas digitais multiplicaram as possibilidades de manipulação de imagens e não há originais de fotos digitais, outras maneiras de pensar a questão da autenticidade têm que surgir. Uma sugestão é encontrar um meio de identificar alterações de conteúdo através de um código inteligível aos leitores. Fotos manipuladas e claramente identificadas como tal serão julgadas com base na intenção do autor. Como não há meio de assegurar que uma determinada foto digital não foi manipulada, o leitor só pode contar com a reputação de seu autor e do veículo que a publica para decidir. Exatamente como faz com qualquer texto jornalístico.
(*) Engenheiro em Boston (EUA); e-mail
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/fd090420032.htm
quinta-feira, março 08, 2007
História do Dia Internacional da Mulher
História do 8 de março
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve.
Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857.
Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.
Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.
Marcos das Conquistas das Mulheres na História
1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças.
1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina.
1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.
http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve.
Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857.
Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.
Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.
Marcos das Conquistas das Mulheres na História
1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças.
1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina.
1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.
http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm
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