SOBRE O PROJETO
Justificativa
O tema central do museu é a língua portuguesa – a base da cultura brasileira. Trata-se de um museu vivo da língua, onde os brasileiros podem se reconhecer e se conhecer melhor; lugar que evoca a especificidade e a riqueza da língua portuguesa do Brasil e busca, assim, reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país.
O objetivo maior é fazer com que as pessoas se surpreendam e descubram aspectos da língua que falam, lêem e escrevem, bem como da cultura do país em que vivem, nos quais nunca haviam pensado antes. Que se espantem ao descobrir que sua língua tem todos aqueles aspectos ocultos. O alvo é a média da população brasileira, mulheres e homens provenientes de todas as regiões e faixas sociais do Brasil e cujo nível de instrução é, na maioria, médio ou baixo.
Essas pessoas utilizam o português – sua língua materna – das mais diversas maneiras: comunicam-se com muita criatividade, usam neologismos, inventam imagens, têm humor. Operam a língua com muita soltura, mas não têm idéia de sua história, de como ela se construiu e continua a construir-se. Deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa.
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Localizado no Bairro da Luz, o prédio centenário da Estação da Luz constitui um dos mais importantes marcos históricos da cidade de São Paulo.
O prédio tem um traçado arquitetônico engenhoso e bastante peculiar. Foi construído pelos ingleses e inaugurado em 1901, em pleno ciclo do café, com o intuito de levar a produção das lavouras do interior do estado até o Porto de Santos – canal de saída para a Europa, principal consumidora da bebida brasileira.
Hoje, mais de 100 anos depois de sua inauguração, a Estação da Luz ainda é considerada um símbolo da riqueza do café e um dos mais importantes monumentos arquitetônicos de São Paulo.
Em suas novas funções como centro de valorização de nossa língua, o Museu da Língua Portuguesa deve se transformar numa referência que coloque o entendimento da língua – e não apenas da língua falada no Brasil – em um novo patamar. Espera-se que as pessoas venham a São Paulo para viver essa experiência nova
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Mas o que pode levar as pessoas a viverem essa experiência – ou seja, a tomarem consciência de sua cultura através do conhecimento de sua língua?
O museu organiza um vasto conjunto de informações a partir de alguns eixos centrais. O primeiro deles é a antiguidade da língua portuguesa, uma língua de milênios. Isso implica retraçar brevemente a trajetória da língua, desde o Lácio, em Roma, até sua chegada no Brasil, depois de passar por outras partes do mundo.
O segundo eixo é a universalidade da língua portuguesa. A idéia de globalização surgiu após Portugal ter chegado na África, Índia e Ásia, com as grandes navegações. A viagem de circunavegação revelou a esfericidade da Terra. E o português foi introduzido em vários pontos do planeta.
É preciso lembrar que universalidade, nesse caso, não significa que o português seja a língua mais falada no mundo, embora o idioma seja usado hoje por 270 milhões de pessoas.
O terceiro aspecto destacado aqui é a mestiçagem da língua. O idioma falado no Brasil é tão misturado quanto a cor da pele das pessoas e a cultura do país. Assim, ele também está marcado pelos encontros e desencontros de povos e signos, por convergências e conflitos, por contradições e desigualdades. No Brasil, a língua, como as raças, amalgamou-se, dando unidade ao país.
Foi também a língua que, de certa forma, desenhou os limites do território brasileiro, com suas dimensões continentais: um brasileiro da Região Sul entendese perfeitamente com um brasileiro da Amazônia, apesar de ambos viverem em realidades culturais totalmente diferentes.
Também os norte-americanos de todo o território dos EUA se entendem em uma unidade lingüística admirável. A diferença de nossa unidade lingüística, porém, é o altíssimo grau de mestiçagem que constitui o português do Brasil. Não se trata apenas de padrões de fala ou ritmos diferenciados. Na verdade, há aqui uma alta carga de palavras não portuguesas – basicamente indígenas e africanas – que foram incorporadas ao uso cotidiano e estão presentes em nosso vocabulário.
Um quarto aspecto abordado no museu diz respeito ao fato de que a língua portuguesa do Brasil está incessantemente construindo mundos, através das artes. A língua é a matéria-prima por excelência da literatura e da poesia, e compõe também as artes visuais, o teatro, a música e as artes plásticas.
O que quer e o que pode essa língua, pergunta o poeta? E aqui abre-se um universo extenso de referências: é Guimarães Rosa e Machado de Assis; é o cordel e João Cabral de Mello Neto; é Drummond e Bandeira; Mario e Oswald; são os irmãos Campos e Caetano Veloso; padre Vieira e Gregório de Mattos; Chico Buarque e Glauber Rocha; Luiz Gonzaga e os samba-enredos; Wally Salomão, Marcelo D2 e Patativa do Assaré. A lista parece não ter fim.
Ao mesmo tempo, a língua estrutura nosso cotidiano em todo o país. Do jornal diário aos grafites das ruas, das juras de amor aos manuais, dos outdoors às placas de ônibus, das bulas de remédio às novelas e propagandas de TV, estamos imersos em um imenso manancial de informações veiculadas através da língua que falamos, lemos e escrevemos.
Convivem no Brasil de hoje inúmeras variantes da língua, decorrentes das experiências regionais e locais, de especificidades socioculturais e dos cruzamentos que se vêm fazendo ao longo do tempo, com contribuições múltiplas. Somadas, constituem o português do Brasil. Uma língua que está em intenso movimento, recriada de diferentes maneiras e diariamente, em cada recanto do país.
A língua é um instrumento privilegiado para a transmissão organizada de conhecimentos. A linguagem oral e a escrita produzem e reproduzem incessantemente novos e velhos significados, criando e recriando as sociedades, sejam elas tradicionais, sejam modernas. Ela é também a língua da história, das ciências e da educação.
Significado do Projeto
Mas qual é a importância de tudo isso? Qual é a mensagem maior que se quer transmitir no Museu da Língua Portuguesa? O que se espera que as pessoas sintam depois de visitá-lo?
A mensagem central contida no museu é que essa língua portuguesa que unifica um país do tamanho do Brasil é a forma de expressão de uma cultura rica e diversa que carrega consigo uma mensagem singular em meio às nações. Pois, apesar das grandes desigualdades sociais e econômicas em que está imerso, o Brasil tem como um de seus mais relevantes traços distintivos a capacidade de tolerância. Nesse território, desenvolveram-se formas de convivência e respeito às diversidades de que o mundo necessita.
Os brasileiros, porém, não têm uma consciência muito profunda da civilização que construíram e dos valores que conquistaram através dessa civilização. Crêem-se inferiores a outros povos e culturas, o que os predispõe muitas vezes a receber e absorver toda e qualquer interferência que venha de fora, sem distinção.
Trata-se, portanto, e antes de tudo, de ampliar a auto-estima dos brasileiros e fazê-los acreditar que, conhecendo-se a si mesmos, eles poderão inventar, com originalidade, o futuro que desejarem.
E, num momento em que o mundo passa por uma homogeneização cultural trazida pela economia globalizada, poderemos valorizar – e até exportar – a aceitação da diversidade, característica que nos é tão cara.
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Mais do que uma celebração da língua, o Museu da Língua Portuguesa é, portanto, uma celebração da identidade brasileira. Existiriam várias outras formas de fazê-lo. Poderíamos criar um museu do futebol, um museu do Carnaval ou um museu do barroco – que é uma invenção tropical luso-brasileira e, portanto, mestiça. Mas escolhemos ocupar esse espaço com um centro de celebração da língua. Se, como diz um verso do poeta português Fernando Pessoa, “minha pátria é minha língua”, acreditamos que nada melhor do que a língua para reforçar o sentimento de pertencimento e responsabilidade com o país.
Objetivos do Museu
O projeto tem quatro objetivos básicos. São eles:
1) oferecer ao público em geral um conjunto de informações audiovisuais de caráter histórico, social e cultural sobre a língua portuguesa em suas várias dimensões e possibilidades, organizado de maneira dinâmica e atraente em uma grande exposição permanente e em exposições temporárias;
2) proporcionar a estudantes e estudiosos conferências, mesas-redondas, cursos e eventos interdisciplinares relativos à língua em seus vários aspectos;
3) gerar produtos educacionais, como monitoria para escolas e atividades para formação de professores;
4) disponibilizar conteúdos virtuais através do Portal da Língua Portuguesa.
Já existe uma base sólida de conhecimentos produzidos sobre a língua e a cultura brasileira. O museu tem conexões com as instituições, os trabalhos e as pessoas que estão envolvidas nessa produção. Citando um exemplo: uma das características da língua portuguesa do Brasil é a forte presença em nosso vocabulário cotidiano de palavras indígenas e africanas. É desejável que o museu se conecte a um grande número de instituições e especialistas que se dedicam ao estudo dessas línguas, disponibilizando para o público o acesso a esses acervos tecnológicos.
Dessa forma, o público poderá mergulhar no tema em diferentes níveis de profundidade. E o museu, em seu conjunto, se constituirá em um importante centro irradiador de conhecimentos sobre a língua.
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Há também um ingrediente geopolítico no museu: existe um forte movimento dos países de língua espanhola, especialmente da Espanha, de afirmação da língua hispânica, com foco claro nos Estados Unidos e na Europa. Ao visitarmos qualquer universidade estrangeira, seja americana, seja européia, encontramos departamentos de estudos de língua dedicados ao espanhol.
O museu pretende conectar-se também com esses ambientes no exterior para o fortalecimento do olhar sobre a língua portuguesa, transformando-se, para os brasileiros e para os demais povos de língua portuguesa, em um centro de referência da mesma natureza que um Instituto Goethe ou um Instituto Cervantes. Isso seria muito útil para a consolidação da comunidade de povos de língua portuguesa.
Nesse sentido, existem protocolos de intenção assinados com instituições internacionais, tais como a própria CPLP e o Instituto Camões e uma importante parceria já firmada com a Fundação Calouste Gulbenkian.
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Talvez essa seja a primeira vez no mundo em que se pretendeu dar um tratamento museológico à língua, tratando-a como uma obra de arte. Desejamos oferecer ao público a possibilidade de fruir sua língua, fazendo-o pensar nela como em uma invenção do homem.
A Natureza da Experiência
O Museu da Língua Portuguesa, portanto:
1) dirige-se a um público amplo e variado, de jovens e adultos, em um espaço atraente e instigante, estimulando atitudes pró-ativas, através de múltiplas possibilidades de interatividade;
2) explora as potencialidades da língua portuguesa em seus aspectos temáticos e históricos;
3) utiliza modernos recursos tecnológicos e de comunicação, tendo como matéria-prima básica iconografia variada, filmes, vídeos, música e poesia;
4) oferece ao visitante momentos alternados de experiências individuais e coletivas, em um diálogo permanente e surpreendente entre conteúdos e abordagens variados;
5) propicia uma experiência acolhedora e amplamente democrática.
Marcos Conceituais de Conteúdo
Argumento para a criação do audiovisual do Auditório
Antonio Risério
Grande Galeria - Natureza e Cultura
Manuela Carneiro da Cunha
Grande Galeria - Religião
Antonio Risério
Grande Galeria - Dança
Antonio Risério
Grande Galeria - Futebol
Antonio Risério
Grande Galeria - Integração Nacional
Antonio Risério
Grande Galeria - Carnaval
Antonio Risério
Grande Galeria - Relações Humanas
Antonio Risério
Grande Galeria - Música
Antonio Risério
Grande Galeria - Festas
Antonio Risério
Grande Galeria - Valores Saberes
Antonio Risério
Gírias
Marilza Oliveira
Carnaval do Rio de Janeiro
Marilza Oliveira
Expressões e gírias
Marilza Oliveira
Frases de pára-choques de caminhão
Marilza Oliveira
Criação Lexical Artística
Marilza Oliveira
Lanternas - Línguas Africanas
Lanternas - Línguas Africanas II
Lanternas – Espanhol
Lanternas – Línguas dos Imigrantes
Lanternas – Línguas Indígenas I
Lanternas – Inglês e Francês
Praça da Língua
Sala de Etimologia
Mário Eduardo Viário
Sala de Etimologia versão 2
Mário Eduardo Viário
Sala de Etimologia versão 2b
Mário Eduardo Viário
Endereço:
Praça da Luz, s/nº
São Paulo - SP
Cep: 01120-010
Telefone:
(11) 3326-0775
Atendimento: de 9h às 18h
Horário:
De segunda a sexta-feira
segunda-feira, setembro 24, 2007
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