sexta-feira, dezembro 08, 2006

Um presente pra sempre

Resolvi embrulhar minha amizade pra presente e distribuí-la pelo Correio. Espero que chegue antes do Natal. Nesse período o Correio de São Paulo fica insuportavelmente lotado de correspondência para ser entregue. Às vezes atrasa, passa o dia de Natal, e a correspondência vai chegar perto do reveillon. Não me importo se o meu presente chegar atrasado. Só faço questão que seja entregue intacto. Sem danificar a embalagem e muito menos o conteúdo. É importantíssimo que a beleza estética do embrulho seja preservada para causar uma certa surpresa. O conteúdo deve permanecer originalmente igual. Eu quero que os meus amigos recebam o meu presente exatamente como eu o enviei. Amizade é como um cristal, deve-se ter cuidado ao transportá-la, senão quebra. Amizade nunca está em falta no estoque. Amizade não custa nada. Amizade não é perecível mas é necessário alimentá-la diariamente. A amizade é um ser vivo que precisa de água todos os dias. Amizade é para todos os dias do ano. Entrego minha amizade como presente de Natal e o meu amigo terá uma jóia rara para ostentar o ano inteiro. É um presente para sempre. É um presente para a vida toda. E o que é melhor, fácil de embrulhar e fácil de enviar. Melhor ainda, eu nem precisei ficar em filas intermináveis de vários shoppings para encontrar aquele presente para aquele amigo. Amizade serve em todos os meus amigos. É no tamanho certo e na quantidade exagerada. Amizade é para ser usufruída por muito tempo. Mesmo que o Correio atrase, tenha paciência, o meu presente de Natal vai chegar na sua vida.

segunda-feira, novembro 27, 2006

UMA AMIGA NUMA POESIA

Sei que canto. E a canção é tudo.
Uma parte de mim se espanta.
Seus olhos infinitos e brilhantes.
A mesma noite que faz branquear.
Nós, já não somos as mesmas,
Ainda que seja a última dor.

Daquela calçada, na direção contrária,
Atravessei a vida ao som da canção.

Só um lugar é tranquilo.
Isso é tudo. Tudo isso é linguagem.
Lirismo difícil e pungente.
Viagem eterna no coração.
A noite está esquecida.

Preencho de calma o meu ser.
Infinito é o seu olhar transparente.
Ritmada é a sua presença.
Eu canto, porque o instante existe,
Seja alegre ou cor de rosas.

SOBRE A MESA

Você conhece alguém que escolhe o Restaurante pela sobremesa?

Muito prazer! Esta pessoa sou eu.

Trabalho numa Universidade na zona oeste de São Paulo. Ao se aproximar o horário do almoço o meu cérebro vai imaginando qual deliciosa sobremesa ele quer saborear naquele dia. Sim, porque é o meu cérebro que comanda o meu paladar. E como ele é safado. Como eu posso dominá-lo se é o cérebro que comanda todos os nossos movimentos? Então, eu me deixo envolver por este comando que na verdade, eu não me esforço muito para contrariá-lo.

Na segunda-feira, começo da semana, que tal mamão com licor de cassis? Servido numa taça interminável e com uma tonalidade incomparável.

Na terça-feira, vou de pudim de leite condensado. O que foi? Achou mais simples? Sim, mas nem por isso menos saboroso.

Na quarta se prepare. Aqui vem um arroz doce que é indescritível. Até hoje não descobri o segredo de um arroz doce tão maravilhoso. Enquanto eu não descubro o segredo eu vou saboreando. Eu não tenho pressa em descobrir.

Na quinta-feira uma taça de sorvete descritível. Dois sabores, biscoito waffer, calda de chocolate, pêssego, figo e quinze minutos no mínimo para consumí-lo. É quase um almoço...

Numa bela sexta feira, a semana está terminando, mas o meu apetite não. Que tal uma torta quente de banana com canela? Não! Calma. Espere um pouco. Não se trata de uma tortinha de banana com canela qualquer e sim aquela. Bem, ela tem uns dez centímetros de diâmetro. É servida quente. Demora 12 minutos para ficar pronta. Chega à sua vista, ou melhor, à sua mesa bem quentinha. Bom, sobre esta deliciosa torta não precisaria mais nada, mas faz parte da sobremesa uma bola de sorvete suavemente adicionada e do sabor preferido.

Ah... as opções de cardápio. Bom, nem percebi, mas recomendo. Afinal com estas sobremesas você nem vai pensar numa picanha, ou mesmo numa salada.

segunda-feira, novembro 20, 2006

"DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA" retrata disputa pela memória histórica

Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".

Construindo o "Dia da Consciência Negra"
O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil. Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares.

Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o "Dia Nacional da Consciência Negra", pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o "Dia da Abolição da Escravatura" em um de seus poemas. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A idéia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.

A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. "Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente. Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de idéias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural. Grande parte da população envolvida celebra com sambão, churrasco e muita cerveja", conta o historiador Andrelino Campos, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Para a socióloga Antonia Garcia, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é importante que se conquiste o "Dia Nacional da Consciência Negra" "como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico".

Diferente do 20 de novembro o 13 de maio perdeu força em nossa sociedade devido a memória histórica vencedora: a que atribuiu a abolição à atitude exclusiva da princesa Isabel, aparentemente paternalista e generosa Isabel, analisa o historiador Flávio Gomes. Pesquisas recentes têm recuperado a atuação de escravos, libertos, intelectuais e jornalistas negros e mestiços para o 13 de maio, mostrando como este não se resumiu a um decreto, uma lei ou uma dádiva. Esses estudos também têm resgatado o significado da data para milhares de escravos e descendentes, que festejaram na ocasião.

São poucos os locais onde se mantêm comemorações no 13 de maio. No Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, o 13 de maio é dia de festa. "Não porque a princesa foi uma santa ou porque os abolicionistas simpáticos foram fundamentais, mas porque a população negra reconhece que a Abolição veio em decorrência de muita luta", diz Gomes. Albertina Vasconcelos, professora do Departamento de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, também lembra que a data é celebrada em vários centros de umbanda na Bahia como o dia do preto-velho e que moradores antigos do Quilombo do Bananal, em Rio de Contas, Bahia, contam que seus pais e avós festejaram o 13 de maio de 1888 com muitos fogos e festas.

Na opinião de Vasconcelos "é importante comemorar, não para contrapor uma data a outra, os heróis brancos aos heróis negros, mas porque é necessário tomarmos consciência da história que está nessas datas, que traz elementos da nossa identidade". Para a pesquisadora, assim seria possível contribuir para desmistificar toda a construção ideológica produzida sobre o povo negro.

Nas escolas: muita proposta, pouca mudança
No início de seu mandato o presidente Lula aprovou a inclusão do Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino de história da África nas escolas públicas e particulares do país. Embora a decisão tenha sido comemorada, alguns pesquisadores ressaltam que existem obstáculos a serem ultrapassados para que a proposta se transforme em realidade. "Em geral, a história dada segue o livro didático e ele é insuficiente para dar conta de uma forma mais ampla e crítica de toda a história", ressalta Vasconcelos. Essa avaliação da historiadora é confirmada pela professora de história Ivanir Maia, da rede estadual paulista. "A maioria dos professores se orienta pelo livro didático para trabalhar os conteúdos em sala de aula. Nos livros de história, por exemplo, o negro aparece basicamente em dois momentos: ao falar de abolição da escravatura e do apartheid".

Campos destaca que alguns livros didáticos de história têm sido mais generosos ao retratar a "história dos vencidos", mas ressalta que a maioria, inclusive os livros ligados a sua área - a geografia -, continua a veicular os fatos sociais de forma depreciativa, seja referente ao Brasil ou a África. "Encontramos com fartura os elementos de modo civilizatório ocidental como a única verdade que merece maiores considerações", exemplifica. Uma iniciativa importante que ocorreu nesse período foi o controle dos livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), visando evitar a distribuição de livros contendo erros conceituais e representações negativas sobre determinados indivíduos e grupos. Mas, na opinião de Garcia, seria necessário exigir uma maior revisão nessas obras: "os livros didáticos precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital e também as suas batalhas, rebeliões, quilombos e suas lutas mais contemporâneas".

Paula Cristina da Silva Barreto, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, destaca que, além dos livros didáticos, outro foco importante são as propostas de mudança na formação dos professores. "Foi tímido o trabalho feito pelo MEC nessa direção até o momento", critica a pesquisadora. Na avaliação dela, sem professores bem preparados para abordar temas complexos, como os abordados nos PCNs, "é muito difícil obter sucesso com a alteração curricular e existe uma grande probabilidade de que as escolas não coloquem em prática o que foi proposto". Os baixos salários pagos e as condições de trabalho desanimadoras nas escolas são fatores também destacados pelos pesquisadores como possíveis responsáveis pelo pequeno envolvimento dos professores com propostas que visam abordar a diversidade étnica e problematizar a questão do negro no Brasil no interior das escolas.

Experiências educativas alternativas
Existem diversos programas educativos espalhados pelo país que são propostos e organizados por entidades ligadas aos movimentos negros brasileiros. Para Campos, a diferença fundamental entre essas propostas e o ensino escolar "é o comprometimento daqueles que montam os programas. Em geral são frutos de experiências de grupos ligados aos problemas dos afro-descendentes; buscam, sobretudo, a eliminação da desigualdade através de um instrumento poderoso: a consciência cada vez maior da coletividade". Como exemplos, o pesquisador cita o Projeto da Mangueira, voltado para os esportes, que já existe há muito tempo, além de experiências que têm levado meninos e meninas às escolas de sambas-mirins no Rio de Janeiro.

Barreto, que tem acompanhado de perto alguns projetos na área de educação implementados por organizações anti-racistas e/ou culturais de Salvador, destaca como exemplos bem sucedidos a Escola Criativa do Olodum, o projeto de extensão pedagógica do Ilê Aiyê e o Ceafro. "Essas experiências têm sido importantes por fomentarem o debate e gerarem demandas por mais qualidade do ensino público, por um currículo menos eurocêntrico e mais multicultural e multirracial, por melhores livros didáticos e por um ambiente racialmente mais democrático nas escolas", diz Barreto. O mais interessante é que esses projetos se transformaram em referência para as políticas adotadas por órgãos oficiais como o Ministério Educação (MEC) e as Secretarias de Educação. Combinando educação formal e não-formal esses projetos tratam, por exemplo, de conteúdos presentes no currículo oficial em espaços como os barracões dos terreiros de candomblé ou as quadras dos blocos afro; outros utilizam parte da produção cultural das organizações - letras de música, mitos africanos etc. - no currículo das escolas regulares. O ensino de História da África, na escola do Ilê Aiyê, já acontece há vários anos.

Para Barreto "é de fundamental importância o fato de que as crianças e jovens negros e mestiços são positivamente valorizados nesses projetos, elas são consideradas como portadores de direitos, o que tem um efeito direto sobre a auto-imagem e a construção da identidade pessoal e coletiva". Atualmente, a socióloga trabalha com projetos educativos voltados para a democratização do acesso e a permanência de estudantes negros e mestiços no ensino superior e coordena o programa A cor da Bahia, que há dez anos realiza pesquisas, publicações e atividades de formação na área de relações raciais, cultura e identidade negra na Bahia. Desde 2002, o programa desenvolve o projeto tutoria, que cria estratégias diversas para estimular, apoiar e promover a formação de estudantes negros que ingressaram na Universidade Federal da Bahia. Com o apoio do programa Políticas da cor fornecem bolsas de ajuda de custo aos alunos e orientação acadêmica, visando o ingresso destes no mercado de trabalho e em cursos de pós-graduação em condições mais competitivas. Na opinião de Barreto, ainda há muito para ser feito com no sentido de assegurar uma maior democratização - em termos raciais e econômicos - do sistema de ensino superior público.

"É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais", avalia Gomes.

http://www.comciencia.br/reportagens/negros/03.shtml

Acessórios do meu ser

O Google me acompanha em tudo. Como ler dissertações, monografias sem
aquela pesquisa básica? Ainda mais em uma semana que participarei de
11 bancas. Como escrever sem acessá-lo para me lembrar do que já
esqueci? Ontem, mergulhada em vários trabalhos acadêmicos, era
impossível não usá-lo como bússula já que os assuntos iam de
fotografia moderna do clássico Farkas e seu dadaísmo tropical dos anos
40, passando pela teoria do caos, avatares e os ruídos da noofesra.
Tinha também a hipermídia que sai da web e invade o teatro -- na peça
"Jogando no quintal". Um teatro de improvisação que virou estudo de
caso.

Nesta hora percebi que as pastas mágicas do Firefox me ajudam demais.
Outra coisa que não vivo mais sem elas, apesar de manter o Explorer
quase como um sentimento nostálgico. Só ontem caiu a ficha: ler
ouvindo psyte, torna mais produtiva minhas correlações. Aline Vulpini,
de 25 anos, mescla o full-on com outras vertentes. Presente na cena do
interior de São Paulo, Aline já se apresentou em outros estados como
Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. Vale a pena baixar seu set. Ela me
ajudou demais ontem, foi um acessório de produtividade. E quando todos
os acessórios (google, mp3, firefox, gmail etc) pareceriam
perfeitamente integrados a mim, acabou a força após uma chuva que
deixou São Paulo literalmente em baixo d´água. Daí foi o caos
literalmente. Não conseguia dormir, as velas -- espalhadas pela casa
-- me amolavam. Como viver sem tecnologia? Impossível. Ainda consegui
chegar até a geladeira, com a ajuda de uma lanterna, e peguei uma
cerveja ainda gelada. Ouvir a festa dos São Paulinos foi a única opção
de um domingo sem tecnologia.

COM A LUA EM AQUÁRIO [Celso],

a pessoa sente-se emocionalmente segura quando está exercendo a sua liberdade e independência total, quando está fazendo algo original e, portanto, alimentando a sua natureza individualista e quando está contribuindo de modo independente para a melhoria das condições sociais.

A Lua em Aquário favorece, portanto, todas as profissões autônomas, onde a pessoa possa agir como se fosse seu próprio patrão e chefe, sem horário fixo, bem como as atividades onde possa contribuir para melhorias ou para o bem de uma coletividade ou grupo.

A Lua em Aquário confere à pessoa uma disposição a ser amistosa, desprendida, a ser inovadora e radical, a procurar coisas não-convencionais.

A pessoa sente-se bem e à vontade em qualquer área ligada às novas tecnologias, em ocupações diferentes e até mesmo inusitadas, mas que sejam estimulantes, em atividades onde é necessário um espírito inventivo.

Algumas áreas propícias em que a pessoa com Lua em Aquário irá se sentir plenamente acolhida: eletrônica, informática, física nuclear, engenharia e outras atividades no campo aeroespacial, cientista em geral, pesquisador, toda a área de serviço e assistência social, atividades ligadas ao movimento New-Age, astrologia.

http://www.marciamattos.com.br/lua_prof.html

segunda-feira, novembro 13, 2006

Corpo, imagem e cibercultura

Reunir por dois dias jornalistas, amantes da noosfera, pesquisadores em hipermídia, net artistas e filósofos, todos em torno da discussão do corpo, (inter)mediado na cultura, na arte, na comunicação, no design, nas ciências humanas é a proposta do seminário Corpo & Mediação: estudos contemporâneos, que ocorre nos dias 28 e 29 em São Paulo. Acredito, como pesquisadora e participante da imersão, que desses encontros sempre tiramos um panorama contundente desta nossa sociedade mergulhada no imagético e que, aos poucos, desloca-se -- sem volta -- do mundo da escrita.

O seminário é organizado e coordenado pelo professor doutor Wilton Garcia, que lança o livro "Corpo & Subjetividade", (Factash Editora) resultado do evento do ano passado.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site

quinta-feira, novembro 09, 2006

NÃO ENTENDO PATAVINA

Esta frase, que significa declaração de ignorância total sobre determinado assunto, originou-se em certos descuidos gramaticais do historiador romano Tito Lívio (59 ou 64 a.C-17 d.C), nascido em Pádua, em italiano Padova, e em latim, Patavium. Outros escritores latinos, tidos por mais cultos, reprovaram suas expressões, próprias do dialeto da região em que o historiador viveu, o que dificultava o entendimento. Alguns estudiosos dão como explicação o fato de os portugueses terem dificuldade de entender os mercadores e os frades franciscanos patavinos, isto é, originários de Pádua. O próprio Santo Antonio de Lisboa (1195-1231) é o mesmo Santo Antonio de Pádua. Quem não compreende bem certos usos e costumes religiosos, não entende patavina disso também.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

quarta-feira, novembro 08, 2006

COM A LUA EM LEÃO [Pollyana],

a pessoa sente-se emocionalmente segura quando está fazendo o que lhe dá prazer, quando é reconhecida, torna-se o centro das atenções e recebe elogios, quando freqüenta ambientes bonitos e, sobretudo, quando está exercendo sua criatividade e sua autoridade, numa posição de comando.

A Lua em Leão favorece, portanto, todas as áreas relacionadas com o entretenimento e atividades recreativas, bem como todos os setores onde a pessoa pode exercer profissionalmente a sua criatividade e liderança, onde se encontra numa posição de destaque.

A Lua em Leão confere à pessoa uma disposição a ser calorosa, extrovertida, a vivenciar a vida como divertimento e fonte de prazer, a enaltecer as coisas mais simples, tornando-as glamourosas.

A pessoa sente-se bem e à vontade em atividades profissionais que exigem a sua plena auto-expressão, como profissões criativas.

Algumas áreas propícias em que a pessoa com Lua em Leão irá se sentir plenamente acolhida: todas as atividades de entretenimento, indústria do teatro e do cinema, artes em geral, publicidade, cargos de comando, como gerente, empresário, educador, professor, conferencista, atletismo.

http://www.marciamattos.com.br/lua_prof.html

domingo, novembro 05, 2006

"AÇÚCAR" em sua vida...

"Um certo dia, a professora perguntou para seus aluninhos...
- Quem é Deus?
Pedro, um menino muito tímido, levantou as mãozinhas e disse:
- A minha mãe me disse que Deus é como o açúcar no meu leite que ela faz todas as manhãs. Eu não vejo o açúcar que está dentro da caneca no meio do leite, mas se ela tira, fica sem sabor. Deus existe, e está sempre no meio de nós, só que não o vemos, mas se Ele sair de perto, nossa vida fica...sem sabor
".

Tenha um bom dia! E não se esqueça...
Coloque "AÇÚCAR" em sua vida...

sexta-feira, novembro 03, 2006

Zélia Duncan, agora está pré pós tudo bossa cantando e tocando com os lendários Mutantes.

Braços Cruzados

“(...) Eu quero menos abandono, mais cuidado
Cristo Redentor
Eu vi seus braços “crusades”, tudo é ilusão
Ando pelas ruas, tem de tudo, menos solução
Fecho os vidros, fecho a casa
Mas a alma não tem trinco, tá escancarada
Fecho a minha roupa, fecho a minha cara
Mas a alma não tem trinco
Nem defesa, nem nada.”

Pedro Luis / Zélia Duncan

quinta-feira, novembro 02, 2006

Jump Madonna

"Acho que sou um homem gay em um corpo de mulher", declarou Madonna em sua última entrevista, que será exibida dia 29, às 22 horas, no Multishow. Sei que tem gente que não gosta dela, mas eu sou fã. Que camaleoa, uma mulher que consegue avançar, se reinventar. Se pensarmos em uma Xuxa, por exemplo, que permanece prisioneira da sua própria nave e da sua personagem infantil, Madonna, ao contrário, transita por estilos como quem toma um banho e sai para rua sem olhar para trás. Ela fracassa, cai, separa, retoma, tem filho, adota outro. Só uma mulher muito macho em corpo tesudo consegue realmente o que ela consegue. Deve ser isso.

Bom, enquanto delicio algumas macadâmias, uma de minhas paixões, ouço Jump e lembro de uma balada, bem jump que fui. Lá vai a letra!

There’s only so much you can learn in one place
The more that I wait, then more time that I waste

I haven’t got much time to waste, it’s time to make my way
I’m not afraid what I’ll face, but I’m afraid to stay
I’m going down my own road and I can make it alone
I'll work and I'll fight till I find a place of my own

Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don’t ever look back, oh baby,
Yes, I’m ready to jump
Just take my hands
Get ready to jump

We learned our lesson from the start, my sisters and me
The only thing you can depend on is your family
And life’s gonna drop you down like the limbs of a tree
It sways and it swings and it bends until it makes you see

Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don’t ever look back, oh baby
Yes, I’m ready to jump
Just take my hands
Get ready to, are you ready?

(Spoken:)
There’s only so much you can learn in one place
The more that you wait, the more time that you waste

I'll work and I'll fight till I find a place of my own
It sways and it swings and it bends until you make it your own

I can make alone (repeat 7x)

Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don’t ever look back, oh baby
Yes, I’m ready to jump
Just take my hands
Get ready to jump

Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don’t ever look back, oh baby
Yes, I’m ready to jump
Just take my hands
Get ready to, are you ready?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Charada

Fase 1
banana
água
beijos
zines
feijoada

Fase 2
desejo
água
sexo
natação

Fase 3
sol de verão
Sex Pistols
luar
parede

Fase 4
autodidatismo
real
virtual
branco
negro
graffiti

Fase 5
sinestesia
banana
silêncio
Cheiro
beijo
Sex Pistols again

Fase 6
mel
sexo
cosmopolismo
duas bananas
Seguindo a filosofia punk faça você mesmo, misture as seis fases e selecione uma aleatoriamente. Saboreie uma banana prata enquanto escolhe o melhor caminho para sua charada.

domingo, outubro 29, 2006

FICAR A VER NAVIOS

Esta frase remonta ao desaparecimento do rei de Portugal, Dom Sebastião (1554- 1578), na famosa batalha de Alcácer Quibir. Como o corpo do monarca não foi encontrado, criou-se a lenda de que ele se encantou e que um dia voltaria, dando origem ao movimento messiânico conhecido como sebastianismo. Multidões passaram a freqüentar o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, aguardando a volta do rei e por isso ficavam a ver navios. Passou a ser aplicada a quem perdeu o emprego ou está esperando por alguma coisa que jamais chegará, sendo utilizada também com freqüência para indicar situação em que alguém, por não comparecer ao encontro, deixou o outro a ver navios.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

FICAR A VER NAVIOS

Esta frase remonta ao desaparecimento do rei de Portugal, Dom Sebastião (1554- 1578), na famosa batalha de Alcácer Quibir. Como o corpo do monarca não foi encontrado, criou-se a lenda de que ele se encantou e que um dia voltaria, dando origem ao movimento messiânico conhecido como sebastianismo. Multidões passaram a freqüentar o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, aguardando a volta do rei e por isso ficavam a ver navios. Passou a ser aplicada a quem perdeu o emprego ou está esperando por alguma coisa que jamais chegará, sendo utilizada também com freqüência para indicar situação em que alguém, por não comparecer ao encontro, deixou o outro a ver navios.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

domingo, outubro 22, 2006

ERRAR É HUMANO

Frase do escritor latino Sêneca, o filósofo preceptor do imperador Nero.
Sêneca foi bom professor, mas seu aluno desvairado decretou-lhe morte das mais cruéis, ordenando que cortasse os próprios pulsos.
O filósofo escreveu diversos livros, entre diálogos, tratados e cartas, e seus ensinamentos estavam baseados na doutrina dos estóicos.
Obras célebres: Medéia, As troianas e Fedra.
Teólogos cristãos, quando citam a frase, costumam emendá-la, escrevendo:
"errare humanum est, sed perseverare in erro autem diabolicum".
"Errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico".

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

quarta-feira, outubro 18, 2006

ENVELHEÇAM DEPRESSA ANTES QUE SEJA TARDE

O dramaturgo Nelson Rodrigues, pioneiro do moderno teatro brasileiro, foi também um grande frasista. Ousado e desconcertante, incrustava frases geniais e polêmicas tanto nas peças como nas crônicas. Na elaboração dessas verdadeiras pérolas, cultivava o paradoxo, como no exemplo acima, dirigido aos jovens. Nos diálogos de seus textos, são freqüentes os recortes psicológicos da condição humana sintetizados numa frase que marca a fala do personagem de forma memorável, quase sempre como contraponto bem humorado à crueza das ações.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

Ampliando fotogramas

Michelangelo Antonioni sempre pôs em cheque uma gama de angústias e dúvidas do homem moderno quando, nos anos 60, fez filmes onde esta temática foi abordada com maestria. Depois de fazer “A Aventura”, “A Noite” e “O Eclipse”, o grande diretor se viu seduzido pela “swinging London” e foi ambientado na metrópole inglesa - umbigo dos modernos psicodélicos - que realizou “Blow Up”, aquí pós-titulado “Depois daquele beijo” e agora lançado, no Brasil, em DVD pela Warner – louvável iniciativa, já que estes clássicos são cada vez mais dificeis de serem vistos por um público sem acesso a cinemas de arte.
Na época, o filme já fazia estardalhaço, com comentários que iam desde a participação de nomes ligados ao “top list” da época, até mesmo por ter Antonioni colorido a grama dos parques públicos de Londres para ter um resultado pictórico mais intenso. Mas “Blow Up” paira acima disto tudo.
Sim, Antonioni coloriu a grama, nomes de famosos pipocam o tempo todo na tela: lá está Verushka ( a top model que fez vanguarda emprestando seu corpo não só para estilistas mas também para artistas plásticos); lá estão surpreendentemente os Yardbirds, que seriam o embrião do Led Zeppelin, tocando numa boite repleta de gente esquisita (cena das mais hilárias do filme); lá estão David Hemmings, Vanessa Redgrave e Sarah Miles, uma trilogia de superstars do cinema; lá está a trilha magnífica de Herbie Hancock (que no DVD pode ser ouvida em separado) e lá está Júlio Cortazar, de cujo conto foi feito o roteiro do filme. Resumindo: tinha que dar certo... E deu... Mas Antonioni é um gênio e não ficou só nisto, numa “receita” onde bons ingredientes geram algo de bom paladar. O filme é uma viagem para dentro de temas como o mistério, a ilusão, a dúvida, a verdade e, claro, a morte.
Ao ser testemunha acidental de um (será???) assassinato, um fotógrafo mergulha em situações que tenta desvendar fazendo ampliações fotográficas (o blow-up do título), as quais o retiram do mundo oco da moda, da beleza e do sexo, para lançá-lo em questões filosóficas profundas, bem ao estilo do mestre italiano. O diferencial deste filme, para os demais da carreira de Antonioni, se fixa no clima surreal dado na sua construção . Como era pertinente ao momento histórico sessentista, tudo se assemelha a uma grande viagem turbinada por excesso de marijuana. De qualquer forma, ao colocar o protagonista no meio desta jornada, o diretor também nos inclui, e, de repente, nos vemos num parque londrino, acompanhando um jogo de tênis sem bolinha, cujo final...
Ora, vejam o filme...

Por: Afonso Rodrigues - 28/10/2004

http://www.poppycorn.com.br/artigo.php?tid=653

sábado, outubro 14, 2006

Dicionário das palavras que enganam em inglês

Velhos conhecidos daqueles que têm no idioma inglês um instrumento essencial para o exercício da profissão e para o bom desempenho nos estudos, os falsos cognatos mereceram de Ulisses Wehby de Carvalho um tratamento inédito e instigante neste novo Dicionário das palavras que enganam em inglês.
O autor optou por demarcar claramente a linha que separa os falsos cognatos “puros” daqueles que batizou de “eventuais”, ou seja, das palavras polissêmicas cujo campo semântico inclui, mas também ultrapassa, as possibilidades de significado do termo cognato em português. Um exemplo, tirado da introdução do Dicionário, é “UNION”, que pode, sim, significar “união”, mas também quer dizer “sindicato”. O projeto gráfico contribui para essa diferenciação conceitual com tabelas comparativas dos verbetes em inglês e dos equivalentes em português. Logo abaixo das tabelas, exemplos pinçados de grandes órgãos de imprensa da língua inglesa e suas respectivas traduções ajudam o leitor a desvendar essa zona cinzenta da tradução e do estudo de línguas, onde palavras nem sempre significam o que aparentam.

O resultado final é um volume versátil e agradável de ler, além de informativo. As explicações e opções de tradução do autor, ele próprio tradutor experiente, são sempre originais e nunca menos do que apropriadas. Com mais de 700 termos e indicada para tradutores, professores e estudantes, a obra também deve atrair curiosos em geral: usando-a como referência, eles poderão ler o parágrafo abaixo sem concluir que Ulisses Carvalho é um sujeito conversador, que o livro é ingênuo ou cansativo, e que as fontes de pesquisa utilizadas são autoritárias.

Conversant with the tricks of both English and Portuguese, Ulisses Carvalho wrote a very ingenious dictionary, in which entries do not always mean what they hint at first glance. His efforts to collect examples from real-life, authoritative sources, resulted in an exhaustive compilation of “deceiving words in English”, as the title goes.

CARVALHO, Ulisses Wehby de. Dicionário das palavras que enganam em inglês. Editora Campus/Elsevier, 2004

Resenha feita por Jayme Costa Pinto, coordenador do Departamento de Tradução e Interpretação da Associação Alumni, em São Paulo.

"Amantes constantes"

Acho que estou me tornando budista, uma revolução para uma comunista convicta. Comecei a perceber que a felicidade realmente está nas pequenas coisas. Você já ouviu esta frase antes? Acha que eu resolvi falar de auto-ajuda? Não me importo. Mas te darei algumas dicas:
Saber dar valor ao sabor doce de um morango, fazendo cócegas no céu da boca.....isso é felicidade.
Saber se deliciar com o cheiro do sabonete Karma, da Lush, num banho demorado e quente ....isso é felicidade.
Congelar a manhã para uma "guerra" de cócegas com seu filho na cama... isso é felicidade.
Se dar ao luxo de matar a sexta-feira, andar a pé pela Paulista e ir assistir, no meio da tarde, "Amantes constantes" ... isso é felicidade.
Eu e o Abujanra deixamos os afazeres para trás e ficamos imóveis por três horas assistindo um filme em preto e branco, que fala sobre jovens anarquistas na bela Paris de maio de 1968. Eles discutiam a existência embalados a muito ópio. Você acha que somos chatos e gostamos dos filmes de Godard? Acertou.
Você já comprou e leu a bela revista Piauí? Não.
Já sei. Você gastou seis horas da sua vida para pegar chuva no litoral norte e neste exato momento espera uma mesa para comer peixe frito com sua sogra?
Você não é budista, vota no Alckmin e nunca ouviu falar no ator Louis Garrel (www.louis-garrel.com), vencedor do César 2006, como melhor ator revelação. "Amantes constantes" levou o prêmio Leão de Prata, como melhor diretor, e do Golden Osella, como melhor fotografia, no Festival de Veneza 2005.

Você não gostaria da cena em que a personagem de Clotilde Hesme pergunta para o amante se ele se importa dela transar com o amigo no andar de baixo. "Ele me dá tesão". Eu sei, você só transa de sábado e agora está vestido -- para almoçar com a sogra -- de bermuda caqui, camiseta polo listada, cinto preto, meias brancas de jogar têmis e um nike super limpinho.

Não perca seu tempo indo assistir "As torres gêmeas" no cinema. Olhe para o lado de vez em quando. Procure um beijo inesperado, roubado. Isso mesmo! Você já se apaixonou por um estranho? Não.

Não seja tão duro com você mesmo. Se dê uma chance de ser feliz.

Instantes

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida:
só de momentos - não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.


Poema de Jorge Luis Borges

Epitáfio

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr


Titãs - Composição: Sérgio Britto

sexta-feira, outubro 13, 2006

Aquilo que não fizermos hoje será o acumulado de amanhã

As colegas se esbarram por acaso.

- Há quanto tempo, Carmem! Quase oito anos. Você deve estar cheia de novidades, pode ir contando. Formou-se em História? Ia prestar vestibular quando saí do bairro.
- Que nada, meus dois filhos me tomam todo o tempo.
- Mas o curso de pintura que queria tanto, você fez?
- Quem anda pintando o sete lá em casa é a molecada. Quando eles crescerem mais um pouco, vou fazer minha faculdade e meu curso de pintura. Prometo. Já me vejo historiadora e durmo pensando na minha primeira exposição.

Laura sorriu, lembrando-se de que esta era a Carmen, cheia de propósitos, mas nenhum movimento em direção a eles. Encontrava sempre coisas mais urgentes. Caso não houvesse, ela inventava. Parecia, mesmo, que a idéia do desejo realizado fosse suficiente para satisfazê-la. Aí estava o perigo. Não podemos confundir sonho com a ilusão de que há alguma coisa pronta nos esperando.

A ilusão tem muitas caras, entre elas o depois. Podemos passar toda uma vida adiando coisas, acreditando que um dia vamos realizá-las: quando sobrar dinheiro; depois que os filhos crescerem; depois da aposentadoria; depois que terminarmos a casa; depois disto; depois daquilo. E o depois nunca chega, porque ainda não é a hora; porque não temos certeza se vai dar certo; porque queremos nos preparar para que tudo saia perfeito. É importante nos colocarmos atentos para a diferença entre atitudes que dizem respeito ao planejamento de determinada empreitada e aquelas que usamos como artifício para não iniciá-la.

Esperar que algo mágico, além de nós, mude o rumo da nossa história, é outra forma de mantermos a ilusão. É possível, sim, que o inesperado aconteça e nos traga a oportunidade, mas isto não ocorre sempre, nem para todos, portanto é melhor não contarmos com ele. Além disso, coisa alguma vem pronta, a não ser as inconsistentes.

Para o mestre do teatro, Constantin Stanislavski, "a natureza não dá saltos", nem a humana. Quando observamos qualquer obra, seja um delicioso espetáculo; um bom livro; um belo quadro, uma música que nos remexe as entranhas; uma família harmoniosa, na qual um torce pelo prazer do outro; um lindo jardim nos espiando da frente de uma casa, é comum nos esquecermos que houve um laborioso processo atrás de cada uma delas.

Assim é com os nossos projetos, dos mais simples aos mais complexos, inclusive aqueles de reconstrução pessoal. Quanto mais cedo começarmos nosso trabalho, mais tempo teremos para torná-los possíveis. Não custa lembrar o velho ditado: aquilo que não fizermos hoje será o acumulado de amanhã. Também não é possível pularmos etapas, nem tentarmos passar rapidamente por elas, para não senti-las. Estar, de fato, em cada momento da trajetória é o trampolim para o seguinte.

Então, mãos à obra, com o cuidado em não se dispersar pelo caminho. Um pouquinho a cada dia. Em silêncio, se for necessário. De qualquer maneira, no final, haverá alguém disposto a acreditar que demos um salto.

Essencial é começar nossos projetos pessoais agora, um pouquinho a cada dia.

Texto de Angelina Garcia - professora de português e Mestre em Artes Cênicas.

segunda-feira, outubro 09, 2006

É POSSÍVEL MEDIR A INTELIGÊNCIA

Jamais ocorreu aos antigos medir a inteligência das pessoas, pois seus atos e falas logo desmanchavam reputações ou confirmavam suspeitas. Mas a partir desta frase "É possível medir a inteligência", baseada nas teorias do psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911), que montou um laboratório experimental em Paris onde passou a medir as aptidões das crianças, com vistas a melhor atendê-las na escola, uma obsessão por medir a inteligência tomou conta do mundo. E logo surgiram grandes enganos, sobretudo nos Estados Unidos, onde pesquisadores irresponsáveis passaram a medir o Q.I. (quociente intelectual) de vivos e mortos. Miguel de Cervantes Saavedra recebeu apenas 105, numa escala de 160, ficando próximo a anônimos débeis mentais.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

Números, Letras e Cores

Ao número 9 correspondem as letras I e R que corresponde a cor BRANCO que siginifica: generosidade, universalidade, impessoal, doador.

domingo, outubro 08, 2006

Números, Letras e Cores

Ao número 8 correspondem as letras H, Q e Z que corresponde a cor ROSA que siginifica: objetividade, praticidade, justiça, sucesso material, poder.

sábado, outubro 07, 2006

ACTA EST FABULA

O cuidado com dois momentos decisivos das narrativas, "o começo" e "o desfecho", resultou na criação de formas fixas como "era uma vez" para a abertura das fábulas, e "foram felizes para sempre", para a conclusão. No teatro romano, o fim dos espetáculos era anunciado aos espectadores com a frase "acta est fabula", que significa "a peça foi representada". O imperador romano Caio Júlio César Otaviano Augusto escolheu esta frase como última a ser pronunciada por ele antes de morrer. Tinha feito uma administração tão primorosa que o século em que viveu foi chamado pelos historiadores de "o século de Augusto".

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

COM A LUA EM GÊMEOS [Margô],

a pessoa sente-se emocionalmente segura quando está circulando, indo de um lugar para outro, vendo e explorando coisas novas, comunicando-se através de todos os meios disponíveis e, sobretudo, quando atua dentro do campo racional, isto é, quando usa seus pensamentos e suas idéias, e não suas emoções.

A Lua em Gêmeos favorece, portanto, toda a área de comunicação dentro do contexto profissional onde utiliza a palavra, bem como, as atividades em que há necessidade de se deslocar e até mesmo de viajar.

A Lua em Gêmeos confere à pessoa uma disposição a adaptar-se rapidamente a diferentes situações, a explorar, buscar conhecer tudo agora e ao mesmo tempo, a manejar as palavras e também a usar as mãos para criar.

A pessoa sente-se bem e à vontade em atividades profissionais onde há necessidade de colher dados, onde é fundamental convencer e persuadir e onde é essencial ter destreza manual.

Algumas áreas propícias em que a pessoa com Lua em gêmeos irá se sentir plenamente acolhida: jornalismo, repórter, vendas, representante, área de comunicação em geral, redator, tradutor, relações públicas, turismo, agência de viagens, serviços de transporte, artes gráficas, área da educação, artesanato.

http://www.marciamattos.com.br/lua_prof.html

A LUA E A PROFISSÃO

A Lua simboliza, entre outras coisas, a nossa satisfação emocional, aquilo que nos nutre emocionalmente, aquilo que nos faz sentir seguros, confortáveis. Mostra também a nossa disposição, isto é, o que fazemos naturalmente, sem nenhum esforço, sem passar pelo filtro da mente racional.

No trabalho, independente da profissão exercida, a Lua em nosso mapa nos revela o que precisamos fazer para sermos felizes, para nos sentir seguros e à vontade. Indica o grau de satisfação que a pessoa tem -- ou não tem - na sua ocupação.

A Lua representa, portanto, um lugar de destaque na área vocacional, na escolha de nossa profissão, no nosso trabalho. Somente se estivermos em sintonia com o tipo de energia peculiar da Lua em nosso mapa - isto é, de acordo com o signo em que se encontra a Lua -, é que nos sentiremos gratificados e emocionalmente satisfeitos com a profissão e o trabalho que escolhemos.

http://www.marciamattos.com.br/lua_prof.html

Números, Letras e Cores

Ao número 7 correspondem as letras G, P e Y que corresponde a cor LILÁS que siginifica: sensibilidade intuitiva, introspecção, perfeccionista, racional.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Fluxos

Segue o fluxo
caminha
flutua
se equilibra
na vida
besta de cada dia

(Pollyana Ferrari)

Amar foi o que eu fiz
o que eu sabia
o que resiste em mim
que me anuncia
Talvez agora eu saiba a sábia via:
desamar também ensina à vida
a lição que eu sempre quis:
Entre vida e morte
ser feliz

(Hamilton Faria)

Números, Letras e Cores

Ao número 6 correspondem as letras F, O e X que corresponde a cor ANIL que siginifica: calma, conciliação, afetuosidade, valorização do lar.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Números, Letras e Cores

Ao número 5 correspondem as letras E, N e W que corresponde a cor AZUL CLARO que siginifica: liberdade, facilidade de adaptação, desprendimento.

FAZER UMA MESA REDONDA

Hoje é comum organizar mesa-redonda para discutir esse ou aquele assunto, mas raramente o móvel ao redor do qual os participantes tomam assento tem a forma circular. É tradução da expressão inglesa "round table", mesa da lendária corte do rei Arthur (séc. VI d.C), que não tinha cabeceira, nem lugar de honra e ao redor da qual o rei e os cavaleiros sentavam-se como iguais. Suas aventuras foram tema de numerosas novelas de cavalaria narradas sob o título geral de "Os cavaleiros da távola redonda". A frase passou a ser usada politicamente a partir de 14 de janeiro de 1887 na residência de Sir William Harcourt, quando o Partido Liberal Inglês discutiu a questão irlandesa.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.

quarta-feira, outubro 04, 2006

É UM ELEFANTE BRANCO

Esta frase tem servido para designar grandes empresas estatais deficitárias. Sua origem é um costume do antigo reino de Sião, situado na atual Tailândia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesãos que caíam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não poderia ser posto para trabalhar. Como presente do próprio rei, não poderia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado, restava ao infeliz agraciado alimentá-lo, acomodá-lo e ajaezá-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997

Números, Letras e Cores

Ao número 4 correspondem as letras D, M e V que corresponde a cor VERDE que siginifica: organização, disciplina, estabilidade, persistência.

terça-feira, outubro 03, 2006

In order to have great happiness,

"In order to have great happiness,
you have to have great pain and unhappiness
- otherwise,
how would you know when you're happy?"

Groucho Marx,
American actor/comedian.

TEMPO É DINHEIRO

Esta frase, emblema do capitalismo moderno, e cada vez mais atual, dada a rapidez dos processos econômicos, principalmente pelo avanço da informática, foi atribuída ao jornalista, físico, político e filósofo norte-americano Benjamin Franklin (1706-1790), inventor do pára-raios. Homem de vasta leitura, ele pode ter lido no filósofo grego Teofrastos (372-288 a.c.), autor de mais de 200 obras, espalhadas por quase 500 volumes, que disse coisa semelhante: "o tempo custa muito caro". Como todo escritor antigo, não recebeu direitos autorais. Para ele, tempo foi livro e não dinheiro, daí ter sido tão caro. Escreveu, em média, um volume a cada dois meses sem nada receber. Poderia ser o patrono de certos editores.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997

Maluco Beleza

Enquanto você se esforça pra ser
um sujeito normal
e fazer tudo igual

Eu do meu lado, aprendendo a ser louco
Maluco total
na loucura real

controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez

Vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza

Este caminho que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
por não tem onde ir

Controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez

Vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza
Eu vou ficar.....


Raul Seixas - Composição: Raul Seixas e Claudio Roberto

Números, Letras e Cores

Ao número 3 correspondem as letras C, L e U que corresponde a cor AMARELO que siginifica: criatividade, comunicabilidade, poder da fala, expressividade.

A cibercultura invadindo as bordas

Só para pensarmos o tamanho das possibilidades: o Brasil tem 6 milhões de pessoas que acessam a internet exclusivamente de locais públicos pagos ou gratuitos, de acordo com a pesquisa "Internet Pública", divulgada nesta segunda-feira (02/10) pelo Ibope/NetRatings. A pesquisa ouviu 16 mil pessoas em nove regiões metropolitanas brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Distrito Federal e Recife.

De acordo com a pesquisa, 4,4 milhões de pessoas acessam a internet de
locais públicos pagos, como cibercafés e Lan Houses, pelo menos duas
vezes por semana. Gastam, em média, entre 10 e 15 reais por mês. É a cibercultura mostrando sua cara.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Números, Letras e Cores

Ao número 2 correspondem as letras B, K e T que corresponde a cor LARANJA que siginifica: flexibilidade, adaptação, cooperação, participação, união.

BATISMO DE FOGO

Ao condenar os hereges às fogueiras, a Inquisição sustentava que eles, não tendo sido batizados com água benta, faziam ali seu batismo de fogo. E aqueles que os condenavam ainda garantiam que os réus estavam fazendo um bom negócio, ao trocar as labaredas eternas do inferno por chamuscadas que apenas os levariam desta vida. Porém, a frase mudou de sentido no século passado, quando Napoleão III (1808-1873) adaptou-a aos que entravam em combate pela primeira vez. Hoje, a expressão se refere a qualquer situação crítica em que os envolvidos têm de obter bom desempenho em tarefas importantes. Mário Vargas Llosa (61) tem um livro com o título Batismo de fogo.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997

domingo, outubro 01, 2006

Sirva-se!

Nick Larson (Eric Lively) tem 26 anos e sua vida como adulto está prestes a atingir a melhor fase. Isso porque seu emprego numa empresa de eletrônicos está decolando e seu relacionamento com a fotógrafa artística Julie Miller (Erica Durance) vai muito bem. Quando ele é convocado para aparecer com urgência em seu escritório, uma série de eventos é iniciada, alterando a vida de Nick para sempre.

Assistia ao filme "EFEITO BORBOLETA 2"

VIRAR A CASACA

A política brasileira está cheia de gente que virou a casaca, isto é, homens públicos que trocaram de partido, passando a defender idéias que antes condenavam. A origem da expressão remonta a Carlos Manuel III (1701-1771), duque de Savóia e rei da Sardenha. Sempre ameaçado, ora pela Espanha, ora pela França, usava as cores nacionais de uma dessas nações, de acordo com a aliada de ocasião. Tanto virou casaca que permaneceu no poder por 43 anos.

SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997

Números, Letras e Cores

Ao número 1 correspondem as letras A, J e S que corresponde a cor VERMELHO que siginifica: independência, iniciativa, liderança, determinação.

sábado, setembro 30, 2006

Outras Palavras

Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras

Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras

Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras

Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras

Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras


Caetano Veloso - Composição: Caetano Veloso