
Dia Nacional da Mulher
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Hoje, dia 30 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Mulher. Como as luzes fortes dos holofotes iluminaram o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o dia 30 de abril fica às escuras.
A mídia e o comércio comandam a importação de datas comemorativas, da moda, do nosso procedimento, da cultura, da linguagem e até do folclore, haja vista a repercussão do Dia das Bruxas. Nada de xenofobia nesta colocação, mas, se há tantos valores aqui, por que buscá-los em outras plagas? Penso que o Dia Nacional da Mulher deveria ser mais divulgado e, este sim, muito festejado.
O Dia Nacional da Mulher é comemorado aos 30 de abril, data de nascimento de uma grande brasileira: Jerônima Mesquita, um nome desconhecido para muitos. E quem foi Jerônima Mesquita? Foi uma das ilustres brasileiras que viveram no início do século 20. Nascida em Leopoldina (MG), aos 30/4/1880 foi, ainda moça, concluir seus estudos na Europa. Retornando, após observar outro tipo de vida, não se conformou com a situação preconceituosa imposta às mulheres de sua terra natal.
Dotada de inteligência, perspicácia e muito diligente, Jerônima se uniu a um grupo de mulheres combativas e fundou o Conselho Nacional das Mulheres. Se hoje as mulheres têm direito a voto, devem-no a ela, que foi sufragista e lutou para que, em 1932, todas as mulheres, acima de 18 anos, pudessem votar.
Engajou-se em frentes de assistência social, sendo uma das fundadoras da Pró-Matre, hospital beneficente que tinha por objetivo acolher gestantes pobres. A matriz foi no Rio de Janeiro, mas hoje, há hospitais com esse nome em muitas cidades brasileiras; fundou, também, a Associação Cruz Verde. Todos sabem que no início do século 20 grassava, no Brasil, a fome, a febre amarela, a peste bubônica, a varíola, doenças agravadas pela subnutrição do povo. Foi nessa época que Jerônima Mesquita mais atuou.
Numa das poucas entrevistas que deu antes de falecer, o que ocorreu em 1972, disse que ficara feliz com a promulgação da Lei 4121/62, conhecida como Estatuto da Mulher Casada que, entre outras mudanças, concedeu às mulheres o direito de trabalhar fora do lar sem autorização do marido ou do pai. Hoje, com o Código Civil Brasileiro modificado, a situação da mulher está diferente e sua condição jurídica menos discriminatória. Ela também gostaria de ter visto isso.
Penso que, pelo exposto, deveríamos dar mais atenção e divulgação ao Dia Nacional da Mulher, que foi sancionado pelo último presidente militar João Batista Figueiredo, pela Lei 6.791/80. A intenção deste artigo é tornar o Dia Nacional da Mulher e o nome de Jerônima Mesquita mais conhecidos. Valerá a pena investir nisso.
Algumas ações pioneiras já estão aparecendo, como o 1º concurso em homenagem ao Dia Nacional da Mulher que foi promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, presidido pela Dra. Aparecida Rodrigues Mazzola e que teve a participação de 152 poesias, a maioria escrita por homens. A entrega dos prêmios será no próximo dia 4 de maio, em solenidade especial que acontecerá na Sala Glória Rocha, às 19h30. E outras comemorações virão! Nós, brasileiras merecemos!
Hoje, dia 30 de abril, é o Dia Nacional da Mulher, vamos comemorar!
JULIA FERNANDES HEIMANN é presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, membro da Academia Jundiaiense de Letras e do Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro.
http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=17&Int_ID=18130

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